Resumo da atuação
O projeto Cuitelão é realizado pelo Waita em parceria com o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) desde 2022. O foco é entender do que o cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla) precisa para persistir na paisagem.
Na primeira fase, realizada por meio do convênio com a Eletrobras Furnas, a equipe delimitou o tamanho da área de vida da ave e identificou quais espécies de árvores são mais usadas como poleiro na busca por alimento. Algumas delas são angico (Anadenanthera peregrina), garapeira (Apuleia leiocarpa), ipê-amarelo (Handroanthus chrysotrichus), ingá (Inga laurina) e faveiro (Platypodium elegans).
Com a técnica de radiotelemetria, por meio de um chip colocado na asa da ave, foi possível acompanhar cinco indivíduos durante um mês nos municípios de Chiador (MG), Além Paraíba (MG) e Sapucaia (RJ), nas redondezas da Usina Hidrelétrica de Simplício. A equipe também realizou oficinas de produção de mudas com alunos das escolas da região, usando sementes das árvores identificadas, seguidas do plantio das mudas para recuperar áreas degradadas e favorecer a presença do cuitelão.
Iniciada em dezembro de 2025, a segunda fase volta sua atenção para a reprodução. A equipe percorreu barrancos da área de estudo mapeando as cavidades escavadas e identificando quais delas estavam sendo usadas pela espécie. Os ninhos ativos passaram a ser acompanhados em campanhas de monitoramento, realizadas ao amanhecer, antes da saída das aves, e ao entardecer, antes do seu retorno. Nessas observações, feitas à distância e sem interferir nos animais, a equipe registra os horários de entrada e saída, o número de indivíduos em cada ninho, a chegada dos adultos com alimento e outros comportamentos, além das condições do tempo.
Além do comportamento, o projeto caracteriza o ambiente em que cada ninho foi construído. São medidas as dimensões da cavidade, a inclinação do barranco, registradas a cobertura da vegetação, a distância até cursos d’água e as espécies de plantas presentes no entorno. Amostras de solo de cada barranco também são coletadas e analisadas para conhecer a textura do solo escolhido pelas aves para escavar seus ninhos.
Contexto
O cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla) é endêmico da Mata Atlântica e considerado raro em sua distribuição geográfica, que historicamente ia do Paraná ao sul da Bahia. Modificações na paisagem têm levado ao desaparecimento da espécie em várias regiões: ela não é mais registrada no Espírito Santo desde 1940, no Paraná desde 1961 e em São Paulo desde 1970.
Em nível mundial, a espécie é classificada como “quase ameaçada” (BirdLife International, 2020). No Brasil, a avaliação mais recente não a considera ameaçada de extinção (Silveira et al., 2022). Mesmo assim, o cuitelão segue sendo uma ave rara e dependente de ambientes específicos.
Seu habitat são fragmentos de floresta semidecidual e mata ciliar, geralmente próximos a cursos d’água e a estradas com barrancos, que a ave usa para construir seus ninhos. Pouco se sabe sobre como o cuitelão se reproduz, como ocorre o cuidado parental, quantos ninhos têm sucesso a cada ano e o que torna um local adequado para o ninho. Embora existam muitos barrancos na paisagem, a ave ocupa apenas alguns deles, e o local e o formato do ninho podem influenciar o quanto ovos e filhotes ficam expostos a predadores e às condições do ambiente.
Nesse contexto, a primeira fase do projeto buscou identificar as características da paisagem que determinam a ocorrência da espécie e o tamanho de território necessário para um par reprodutor. A segunda fase busca mapear e caracterizar os ninhos, acompanhar o período reprodutivo e entender o que leva o cuitelão a escolher determinado barranco para se reproduzir. Com isso, pretende-se gerar conhecimento inédito sobre a espécie e identificar quais elementos da paisagem precisam ser protegidos, subsidiando ações de manejo e conservação.
Fases
Fase I – janeiro de 2022;
Fase II – dezembro de 2025.
Meio de financiamento
Fase I: Edital Socioambiental da Eletrobras Furnas.
Fase II:
Números do projeto
Notícias
Parceiros
Documentos relevantes
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Galeria de Vídeos
Histórico do projeto
Sem histórico anterior.





