ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS E COMO INTERFEREM NO NICHO DE ESPÉCIES NATIVAS

ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS E COMO INTERFEREM NO NICHO DE ESPÉCIES NATIVAS

A problemática das Espécies Exóticas – Impactos na Biodiversidade Nativa

Neste post falaremos sobre espécies exóticas e como podem ser um problema para a biodiversidade nativa, primeiro explicaremos os conceitos e traremos alguns exemplos. Também entraremos na questão dos animais domésticos (cães e gatos) que por estarem tão consolidados nas nossas vidas não os vemos como espécies exóticas, mas no âmbito ecológico, cães e gatos, principalmente os ferais, podem ser considerados animais exóticos invasores com um potencial muito grande de causar impactos negativos na biodiversidade.

Para começar…

O que são espécies nativas? 

Uma espécie é considerada nativa quando é natural de um determinado ecossistema ou região, sem ter sofrido interferência do homem para estar lá.

E as exóticas? 

Uma espécie é considerada exótica quando é introduzida em uma área que não seja de sua distribuição natural, nem no passado nem no presente. Essa introdução pode ser, por exemplo, ovos, sementes ou propágulos dessas espécies, de modo que consigam se reproduzir e sobreviver. Quando uma espécie exótica se espalha por novas áreas causando danos a ecossistemas, habitats ou outras espécies, seja através da predação, parasitismo ou competição por recursos, ela é considerada uma espécie invasora.

A noção de introdução de espécies está explicitamente associada à ação humana, resultando tanto de ações intencionais (autorizadas ou não) quanto não intencionais – como ocorre quando pessoas, objetos ou meios de transporte humanos servem como veículos para a dispersão de seres vivos de diferentes espécies.

Já o nicho ecológico de um organismo…

é o espaço físico, as condições, os recursos e as funções do ecossistema em que este organismo vive. O conceito moderno redefinido de nicho ecológico foi proposto por George Evelyn Hutchinson em 1957, no qual foi atribuída a ideia de um hipervolume, representado por uma construção de n-dimensões e variáveis, físicas e biológicas, que permitem a existência de um organismo.

Exemplo de um hipervolume tri-dimensional que pode determinar um nicho. Neste caso as variáveis são: densidade de alimento, umidade e pH. O organismo irá funcionar bem quando as variáveis estiverem dentro da área determinada de condições ótimas.

O nicho hutchinsoniano apresenta restrições e limitações. Hutchinson supõe que o conjunto das partes que compõem o nicho de uma espécie implica na sobrevivência dela, já em nicho diferente, essa espécie não sobrevive, levando em conta que quanto mais perto da fronteira mais essa limitação é verdadeira. Seu conceito também implica que esse modelo de nicho é caracterizado em apenas um instante.

Há dois tipos de nicho, o nicho fundamental que é o conjunto de condições bióticas e abióticas ótimas na ausência de qualquer interferência como competição e predação. É o nicho potencial de um organismo. Já o nicho realizado é o nicho real, de menores dimensões devido a predação, competição e interações bióticas e abióticas.

Desta forma, podemos dizer que espécies nativas realizam o nicho realizado, com suas limitações e interações. Já as espécies exóticas conseguem realizar o nicho fundamental uma vez que na maioria das vezes não possuem nenhuma interferência e se sobressaem sobre as nativas.

Como uma espécie invasora consegue se estabelecer fora do seu habitat?

Uma espécie invasora geralmente possui características que a coloca na posição de potencial invasora. Essas características junto com certas condições ambientais tornam o processo de invasão mais fácil para tal espécie, sendo que quanto mais dessas características ela tiver, maior o seu potencial de invasão.

Aspectos como: flexibilidade ecológica, uso pioneiro do habitat, taxas de crescimento e dispersão elevadas, tempos de geração curtos, corpo pequeno, além de uma plasticidade para realizar alternância entre estratégias r (menor tamanho corporal no indivíduo e na prole, prole numerosa, geralmente apenas um evento reprodutivo na vida, maturidade precoce, investimento alto na reprodução), e k (maior tamanho corporal no indivíduo e na prole, prole menos numerosa, reprodução tardia, mais de um evento reprodutivo, alto investimento na sobrevivência) compõem esse grupo de características que potencializam a espécie como uma possível invasora de sucesso. Essas características são “armas” importantes para que as espécies invasoras consigam vencer as barreiras presentes (como o clima, ataque de predadores e patógenos, dificuldades de dispersão) e assim se estabelecer, passando a reproduzir localmente, visando a dispersão para novas áreas além da área onde foi introduzida.

Espécies exóticas invasoras no Brasil: 

No Brasil, foi realizado um levantamento de espécies exóticas invasoras para realizar um Informe Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras e os resultados, no ano de 2006, foram que o número de espécies invasoras era 543, sendo 176 terrestres, 66 marinhas, 49 de águas continentais, 155 que afetam sistemas produtivos, 97 que afetam a saúde humana. Atualmente, para acessar a base de dados nacional contendo as espécies invasoras, pode-se acessar a plataforma do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental que conta com informações sobre cada espécie bem como os impactos.

Neste post abordaremos quatro exemplos de espécies exóticas invasoras, a rã touro, a algaroba, o cachorro e o gato domésticos.

O caso da Rã Touro Norte-Americana (Lithobates catesbeianus)

Foto disponível em: https://myanimals.com/pt/ra-touro-americana-uma-especie-invasora/

A rã touro é originária do centro e do leste da América do Norte. Os machos podem chegar a 180mm e as fêmeas a 200mm, sendo considerada a maior espécie de anfíbio do continente.

Foi introduzida no Brasil em 1935 para criação comercial e se adaptou muito bem ao clima de diferentes regiões brasileiras, permitindo sua criação em escala nacional. Foi escolhida para a criação comercial por possuir alta fecundidade, rápido crescimento e habilidade para aclimatação a vários regimes climáticos, tendo um desempenho melhor em cativeiro que outras espécies de rãs.

Com o passar do tempo, rãs foram fugindo dos ranários e estes foram sendo abandonados quando a atividade já não era mais tão lucrativa assim, fazendo com que houvesse a liberação desses animais no ambiente e se tornasse um problema para a biodiversidade brasileira.

A interferência da rã touro sobre as comunidades nativas pode ser de forma direta pela predação e pela competição ou de forma indireta pela transmissão de patógenos e mudanças de comportamento induzidas em espécies nativas.

Predação:

Sabe-se que a rã touro tem hábitos alimentares sedentários e generalista, predando quase todos os animais menores que ela, inclusive os da mesma espécie. Alguns autores relatam presas incomuns para um anuro, mas que foram observadas servindo de alimento para a rã touro como toupeiras, roedores, morcegos, aves, serpentes, lagartos, quelônios e crocodilianos jovens, salamandras e peixes.

Competição:

Como se a predação já não fosse o suficiente, por ter esses hábitos generalistas, há sobreposição de dietas, habitats e locais de desova, causando uma competição desleal com as espécies nativas. Dessa forma, a rã touro consegue se multiplicar sem interferências pois não é predada e se tornar uma espécie dominante nos locais que ocupa.

Transmissão de patógenos:

A rã touro é um grande vetor do fungo Batrachochytrium dendrobatidis que causa a quitridiomicose anfibiana, uma infecção que causa mortalidade em massa e o declínio de populações de anfíbios. Segundo a Cúpula de Conservação de Anfíbios (2005), a quitridiomicose anfibiana é a “pior doença infecciosa já vista entre vertebrados, em termos de números de espécies atingidas e que estão propensas a serem extintas”. O fungo, inclusive, também é exótico invasor e é provindo da África, tendo sido levado pela rã-de-unhas-africanas (Xenopus laevis).

Indução de comportamento de espécies nativas:

Os sinais acústicos de anfíbios anuros são um fator determinante para a seleção sexual, caso haja mudanças ou interferências, o sucesso reprodutivo pode ser afetado. Pesquisadores (Both e Grant, 2012) realizaram um estudo em que simularam uma invasão do nicho acústico de machos da perereca verde Hypsiboas albomarginatus expondo-os a vocalizações gravadas de machos de rã-touro. Como resposta, os machos de H. albomarginatus rapidamente mudaram seus cantos de anúncio para frequências mais altas e mesmo após o período  do estímulo, os machos continuam com as frequências mais altas e cantos mais curtos. Devido a tal pesquisa, os autores perceberam que a rã touro pode ter efeito negativo na reprodução da espécie nativa devido a essa interferência no canto que afeta a seleção sexual.

Com todos esses fatores, podemos concluir que a rã touro pode levar vantagem sobre espécies nativas e que devido a suas características tem o potencial de afetar negativamente as espécies a ponto de levá-las a extinção, seja pela predação, competição, patógenos ou interferência no comportamento e que por conseguir se estabelecer tão bem, não ter predadores naturais e reproduzir rápido, sua população aumenta cada vez mais. Caso não haja uma interferência do homem para tentar controlar essa espécie invasora, as chances de perder cada vez mais nossa biodiversidade só aumentam.

O caso da Algaroba (Prosopis juliflora)

Foto disponível em: https://geografiaequador.blogspot.com/2018/11/a-algaroba-e-uma-planta-nativa-do-peru.html

A algaroba é uma espécie arbórea originária dos Estados Unidos e México. Foi introduzida no Brasil em 1942 com a finalidade de plantio para suplementar a alimentação do gado, forragem e produção de madeira e lenha.

Se desenvolve bem na região da caatinga, em regiões degradadas, agrícolas e de pasto, bem como próxima de cursos de água.

A problemática da algaroba começa pela quantidade de sementes que produz que é elevada e sua dispersão, realizada também por animais domésticos e silvestres, que é bastante eficiente e pode atingir longas distâncias. Portanto, formam diversos aglomerados e esses utilizam muita água, levando ao esgotamento desse recurso em uma região em que já é escasso. Ao competirem com espécies nativas, levam vantagem ao se desenvolverem causando a mortalidade delas, além de evitar a regeneração de tais espécies.

Por ser uma espécie que gera um valor, a extinção dessa espécie invasora não se torna uma opção, mas uma possibilidade seria o controle populacional realizando um manejo em áreas controladas projetado para balancear as perdas e os ganhos.

O caso do cachorro doméstico (Canis familiaris) e do gato doméstico (Felis catus)

Foto disponivel em https://www.discoverwildlife.com/animal-facts/mammals/how-can-i-stop-my-cat-hunting-wildlife/

Os cães e gatos são extremamente numerosos ao redor do globo terrestre. Estima-se que existam 900 milhões de cachorros no mundo, sendo 52 milhões no Brasil, e 600 milhões de gatos, com  22 milhões só no nosso país. Bonitinhos e ofensivos, seja por predação ou transmissão de doenças, já extinguiram 74 espécies de animais no mundo.

Os impactos gerados por nossos bichanos não são restritos às áreas naturais desprotegidas, a presença de cães e gatos se dá também em Unidades de Conservação (UCs). A criação desses animais com acesso livre à vida silvestre em áreas protegidas muitas vezes são em condições inadequadas de manejo, podendo afetar espécies nativas da região. 

A invasão de espécies domésticas nessas zonas protegidas pode impactar de diversos modos, sendo um deles doenças infecciosas, que podem ser transmitidas para as populações selvagens, como a cinomose, parvovirose, leishmaniose, raiva, vírus da leucemia felina (FeLV) e muitas outras. Para isso é necessário um conhecimento da prevalência, da distribuição e dos fatores de risco das infecções virais de cães, gatos e outros animais domésticos próximos ou dentro das UCs, além de seu acompanhamento. Além disso, outra estratégia de controle é a necessidade de vacinação para redução da circulação dos vírus, que são os microrganismos de maior impacto para a saúde dos animais silvestres. 

Em um estudo de 2013 em Unidades de Conservação brasileiras, foi mostrado o manejo de animais domésticos por moradores próximos. Nele, os moradores falaram não possuir controle dos animais somente dentro das suas propriedades, pois eles ficam soltos nas áreas de mata, nem sempre são vacinados e muitos não são esterilizados. Essa situação em que os animais domésticos, em maioria cães e gatos, se aproximam dos indivíduos nativos com manejo irregular e controle populacional ineficiente eleva a competição interespecífica e a probabilidade de transmissão de agentes patogênicos.  

Deve se ter em mente a dificuldade inicial da detecção dos impactos na biodiversidade das Unidades de Conservação, por isso ações de detecção e manejo adequados dessas espécies invasoras devem ser realizadas. Recomendações são o monitoramento das espécies invasoras, o fomento de estudos que avaliam essas relações junto à divulgação e sensibilização do assunto. Deve-se também levar em conta que essas ações de controle possuem um custo menor, se realizadas antecipadamente para se evitar impactos de maior grandeza nas áreas protegidas.

Foto disponivel em: https://myanimals.com/pt/seu-cao-e-um-bom-cacador-saiba-aqui/

Pode-se perceber então, que animais exóticos invasores acabam tendo bastante impacto sobre a biodiversidade de qualquer lugar por onde passam. Ao terem hábitos similares aos das espécies nativas, acabam por tomarem muitas vezes o lugar delas ou extinguindo as populações devido a predação e patógenos. Desta forma, é sempre importante alertar as pessoas sobre os riscos de se introduzir novos organismos, bem como a necessidade de controlar os já existentes.
Autores: 
Anna Luísa Michetti Alves, Barbara Emanuelle Lacerda de Moura, Bruna Carolina Teixeira Almeida, Gabriela Lorrany Aparecida Azevedo, Giulia Duca,  Igor Ernesto Cunha Silva
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