ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS E COMO INTERFEREM NO NICHO DE ESPÉCIES NATIVAS

ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS E COMO INTERFEREM NO NICHO DE ESPÉCIES NATIVAS

Neste post explicaremos o conceito de espécies exóticas invasoras, espécies nativas, nicho ecológico e quais problemas são causados pela introdução de novas espécies.

Para começar…

O que são espécies nativas? 

Uma espécie é considerada nativa quando é natural de um determinado ecossistema ou região, sem ter sofrido interferência do homem para estar lá.

E as exóticas? 

Uma espécie é considerada exótica quando é introduzida em uma área que não seja de sua distribuição natural, nem no passado nem no presente. Essa introdução pode ser, por exemplo, ovos, sementes ou propágulos dessas espécies, de modo que consigam se reproduzir e sobreviver. Quando uma espécie exótica se espalha por novas áreas causando danos a ecossistemas, habitats ou outras espécies, seja através da predação, parasitismo ou competição por recursos, ela é considerada uma espécie invasora.

A noção de introdução de espécies está explicitamente associada à ação humana, resultando tanto de ações intencionais (autorizadas ou não) quanto não intencionais – como ocorre quando pessoas, objetos ou meios de transporte humanos servem como veículos para a dispersão de seres vivos de diferentes espécies.

Já o nicho ecológico de um organismo…

é o espaço físico, as condições, os recursos e as funções do ecossistema em que este organismo vive. O conceito moderno redefinido de nicho ecológico foi proposto por George Evelyn Hutchinson em 1957, no qual foi atribuída a ideia de um hipervolume, representado por uma construção de n-dimensões e variáveis, físicas e biológicas, que permitem a existência de um organismo.

Exemplo de um hipervolume tri-dimensional que pode determinar um nicho. Neste caso as variáveis são: densidade de alimento, umidade e pH. O organismo irá funcionar bem quando as variáveis estiverem dentro da área determinada de condições ótimas.

O nicho hutchinsoniano apresenta restrições e limitações. Hutchinson supõe que o conjunto das partes que compõem o nicho de uma espécie implica na sobrevivência dela, já em nicho diferente, essa espécie não sobrevive, levando em conta que quanto mais perto da fronteira mais essa limitação é verdadeira. Seu conceito também implica que esse modelo de nicho é caracterizado em apenas um instante.

Há dois tipos de nicho, o nicho fundamental que é o conjunto de condições bióticas e abióticas ótimas na ausência de qualquer interferência como competição e predação. É o nicho potencial de um organismo. Já o nicho realizado é o nicho real, de menores dimensões devido a predação, competição e interações bióticas e abióticas.

Desta forma, podemos dizer que espécies nativas realizam o nicho realizado, com suas limitações e interações. Já as espécies exóticas conseguem realizar o nicho fundamental uma vez que na maioria das vezes não possuem nenhuma interferência e se sobressaem sobre as nativas.

De que forma as espécies exóticas invasoras conseguem realizar o nicho fundamental?

Uma espécie invasora geralmente possui características que a coloca na posição de potencial invasora. Essas características junto com certas condições ambientais tornam o processo de invasão mais fácil para tal espécie, sendo que quanto mais dessas características ela tiver, maior o seu potencial de invasão.

Aspectos como: flexibilidade ecológica, uso pioneiro do habitat, taxas de crescimento e dispersão elevadas, tempos de geração curtos, corpo pequeno, além de uma plasticidade para realizar alternância entre estratégias r (menor tamanho corporal no indivíduo e na prole, prole numerosa, geralmente apenas um evento reprodutivo na vida, maturidade precoce, investimento alto na reprodução), e k (maior tamanho corporal no indivíduo e na prole, prole menos numerosa, reprodução tardia, mais de um evento reprodutivo, alto investimento na sobrevivência) compõem esse grupo de características que potencializam a espécie como uma possível invasora de sucesso. Essas características são “armas” importantes para que as espécies invasoras consigam vencer as barreiras presentes (como o clima, ataque de predadores e patógenos, dificuldades de dispersão) e assim se estabelecer, passando a reproduzir localmente no novo habitat e realizando seu nicho fundamental.

Espécies exóticas invasoras no Brasil: 

No Brasil, foi realizado um levantamento de espécies exóticas invasoras para realizar um Informe Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras e os resultados, no ano de 2006, foram que o número de espécies invasoras era 543, sendo 176 terrestres, 66 marinhas, 49 de águas continentais, 155 que afetam sistemas produtivos, 97 que afetam a saúde humana. Atualmente, para acessar a base de dados nacional contendo as espécies invasoras, pode-se acessar a plataforma do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental que conta com informações sobre cada espécie bem como os impactos.

Neste post abordaremos quatro exemplos de espécies exóticas invasoras, a rã touro, a algaroba, o cachorro e o gato domésticos.

O caso da Rã Touro Norte-Americana (Lithobates catesbeianus)

Foto disponível em: https://myanimals.com/pt/ra-touro-americana-uma-especie-invasora/

A rã touro é originária do centro e do leste da América do Norte. Os machos podem chegar a 180mm e as fêmeas a 200mm, sendo considerada a maior espécie de anfíbio do continente.

Foi introduzida no Brasil em 1935 para criação comercial e se adaptou muito bem ao clima de diferentes regiões brasileiras, permitindo sua criação em escala nacional. Foi escolhida para a criação comercial por possuir alta fecundidade, rápido crescimento e habilidade para aclimatação a vários regimes climáticos, tendo um desempenho melhor em cativeiro que outras espécies de rãs.

Com o passar do tempo, rãs foram fugindo dos ranários e estes foram sendo abandonados quando a atividade já não era mais tão lucrativa assim, fazendo com que houvesse a liberação desses animais no ambiente e se tornasse um problema para a biodiversidade brasileira.

A interferência da rã touro sobre as comunidades nativas pode ser de forma direta pela predação e pela competição ou de forma indireta pela transmissão de patógenos e mudanças de comportamento induzidas em espécies nativas.

Predação:

Sabe-se que a rã touro tem hábitos alimentares sedentários e generalista, predando quase todos os animais menores que ela, inclusive os da mesma espécie. Alguns autores relatam presas incomuns para um anuro, mas que foram observadas servindo de alimento para a rã touro como toupeiras, roedores, morcegos, aves, serpentes, lagartos, quelônios e crocodilianos jovens, salamandras e peixes.

Competição:

Como se a predação já não fosse o suficiente, por ter esses hábitos generalistas, há sobreposição de dietas, habitats e locais de desova, causando uma competição desleal com as espécies nativas. Dessa forma, a rã touro consegue realizar seu nicho fundamental, se multiplicar sem interferências pois não é predada e se tornar uma espécie dominante nos locais que ocupa.

Transmissão de patógenos:

A rã touro é um grande vetor do fungo Batrachochytrium dendrobatidis que causa a quitridiomicose anfibiana, uma infecção que causa mortalidade em massa e o declínio de populações de anfíbios. Segundo a Cúpula de Conservação de Anfíbios (2005), a quitridiomicose anfibiana é a “pior doença infecciosa já vista entre vertebrados, em termos de números de espécies atingidas e que estão propensas a serem extintas”. O fungo, inclusive, também é exótico invasor e é provindo da África, tendo sido levado pela rã-de-unhas-africanas (Xenopus laevis).

Indução de comportamento de espécies nativas:

Os sinais acústicos de anfíbios anuros são um fator determinante para a seleção sexual, caso haja mudanças ou interferências, o sucesso reprodutivo pode ser afetado. Pesquisadores (Both e Grant, 2012) realizaram um estudo em que simularam uma invasão do nicho acústico de machos da perereca verde Hypsiboas albomarginatus expondo-os a vocalizações gravadas de machos de rã-touro. Como resposta, os machos de H. albomarginatus rapidamente mudaram seus cantos de anúncio para frequências mais altas e mesmo após o período  do estímulo, os machos continuam com as frequências mais altas e cantos mais curtos. Devido a tal pesquisa, os autores perceberam que a rã touro pode ter efeito negativo na reprodução da espécie nativa devido a essa interferência no canto que afeta a seleção sexual.

Com todos esses fatores, podemos concluir que a rã touro pode ocupar nichos que irão sobrepor o de outras espécies de anfíbios, levando vantagens sobre elas e que devido a suas características tem o potencial de afetar negativamente as espécies a ponto de levá-las a extinção, seja pela predação, competição, patógenos ou interferência no comportamento e que por conseguir se estabelecer tão bem, não ter predadores naturais e reproduzir rápido, sua população aumenta cada vez mais. Caso não haja uma interferência do homem para tentar controlar essa espécie invasora, as chances de perder cada vez mais nossa biodiversidade só aumentam.

O caso da Algaroba (Prosopis juliflora)

Foto disponível em: https://geografiaequador.blogspot.com/2018/11/a-algaroba-e-uma-planta-nativa-do-peru.html

A algaroba é uma espécie arbórea originária dos Estados Unidos e México. Foi introduzida no Brasil em 1942 com a finalidade de plantio para suplementar a alimentação do gado, forragem e produção de madeira e lenha.

Se desenvolve bem na região da caatinga, em regiões degradadas, agrícolas e de pasto, bem como próxima de cursos de água.

A problemática da algaroba começa pela quantidade de sementes que produz que é elevada e sua dispersão, realizada também por animais domésticos e silvestres, que é bastante eficiente e pode atingir longas distâncias. Devido a isso formam diversos aglomerados e esses utilizam muita água levando ao esgotamento desse recurso em uma região em que já é escasso. Também ao competirem com espécies nativas, levam vantagem ao se desenvolverem causando a mortalidade delas, além de evitar a regeneração de tais espécies.

Por ser uma espécie que gera um valor, a extinção dessa espécie invasora não se torna uma opção, mas uma possibilidade seria o controle populacional realizando um manejo em áreas controladas projetado para balancear as perdas e os ganhos.

O caso do cachorro doméstico (Canis familiaris) e do gato doméstico (Felis catus)

Foto disponivel em https://www.discoverwildlife.com/animal-facts/mammals/how-can-i-stop-my-cat-hunting-wildlife/

Pode não parecer, mas cães e gatos são considerados invasores e causam um impacto muito grande. Seja por predação ou transmissão de doenças, eles já extinguiram 74 espécies de animais no mundo. Estima-se que existam 600 milhões de gatos no mundo, sendo 22 milhões no Brasil e 75 milhões nos EUA. Por ano, os gatos eliminam 2,4 milhões de aves, 13,5 bilhões de mamíferos, 478 milhões de répteis e 173 milhões de anfíbios só nos Estados Unidos. Eles conseguem matar mais presas que predadores naturais do mesmo tamanho e tem um impacto ambiental de 2 a 10 vezes maior.  Já os cachorros, estima-se que existam 900 milhões no mundo, sendo 73 milhões nos Estados Unidos e 52 milhões no Brasil. A presença dos cães em ambientes naturais no Brasil (principalmente parques) afeta por volta de 63 espécies nativas (12 ameaçadas de extinção) por meio da predação, transmissão de doenças e competição com mamíferos de maior porte.

Pode-se perceber então, que animais exóticos invasores acabam tendo bastante impacto sobre a biodiversidade de qualquer lugar por onde passam. Ao realizarem nichos similares de espécies nativas, acabam por tomarem muitas vezes o lugar delas ou extinguindo as populações devido a predação e patógenos. Desta forma, é sempre importante alertar as pessoas sobre os riscos de se introduzir novos organismos, bem como a necessidade de controlar os já existentes.

Foto disponivel em: https://myanimals.com/pt/seu-cao-e-um-bom-cacador-saiba-aqui/

Autores: 
Anna Luísa Michetti Alves, Barbara Emanuelle Lacerda de Moura, Bruna Carolina Teixeira Almeida, Gabriela Lorrany Aparecida Azevedo, Giulia Duca,  Igor Ernesto Cunha Silva
Referências:
1. ODUM, EUGENE. Fundamentos de Ecologia. Ed. 7. Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.
2. HUTCHINSON, G.E. Concluding Remarks. Cold Spring Harbor Symp. Quant. Biol., v. 22, p. 415-427, 1957.
3. ZILLER, SÍLVIA, et al. Propostas de ação para prevenção e controle de espécies exóticas invasoras. Natureza & Conservação, v. 5, n. 2, p. 8-15, out. 2007.
4. BURY, R. B. e WHELAN, J. A. Ecology and management of the bullfrog. U. S. Fish and Wildlife Service Resource Publication, 155, 1-24, 1984
5. VIZZOTO, L. D. Ranicultura. Ciência e Cultura, 36(1), 42-45, 1984
6. SCHLOEGEL, L. M.; Ferreira, C. M.; James, T. Y.; Hipolito, M.; Longcore, J. E.; Hyatt, A. D.; Yabsley, M.; Martins, A. M. C. R. P. F.; Mazzoni, R.; Davies, A. J. e Daszak, P. The North American bullfrog as a reservoir for the spread of Batrachochytrium dendrobatidis in Brazil. Animal Conservation, 13(1), 1-9, 2009
7. SILVA, E. T.; Neves, C. P. e Ribeiro Filho, O. P. Lithobates catesbeianus (American Bullfrog). Diet. Herpetological Bulletin, 114, 34-35, 2010a
8. de Oliveira, M. A. F. M. Fungo parasita de anfíbios. Unesp, 2013
9. WELLS, K.D. The Ecology and Behavior of Amphibians. Chicago and London: The University of Chicago Press, 2007
10. BOTH, C. e GRANT, T. Biological invasions and the acoustic niche: the effect of bullfrog calls on the acoustic signals of white-banded tree frogs. Biology Letters, 2012(8), 714-716, 2012
11. BOTH, Camila Chiamenti. Invasão de Lithobates catesbeianus na mata atlântica sul do Brasil: relações com espaço, ambiente e anfíbios nativos. 2012. 184 f. Tese (Doutorado em Zoologia) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.
12. SILVA, Emanuel. A Rã-Touro Norte-Americana (Lithobates catesbeianus), uma espécie invasora no Brasil. Revista de Ciências. 7. 33-48, 2016
13. ESPINOLA, Luis A; FERREIRA JULIO JUNIOR, Horácio. Invader species: concepts, models and attributes. INCI,  Caracas ,  v. 32, n. 9, p. 580-585, sept.  2007 .
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21. Elton CS (1958) The ecology of invasions by animals and plants. Methuen, London, 181 pp.
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23. Wolfe, L. M. (2002). Why Alien Invaders Succeed: Support for the Escape‐from‐Enemy Hypothesis. The American Naturalist, 160(6), 705–711.
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25. LESSA, I. et al. Domestic dogs in protected areas: a threat to Brazilian mammals?. Natureza & Conservação. p. 46–56, 2016.

PRESENÇA DE FUNGOS EM PSITACÍDEOS IMUNOSSUPRIMIDOS

PRESENÇA DE FUNGOS EM PSITACÍDEOS IMUNOSSUPRIMIDOS

Foto: Acervo CETAS- BH

Psitacídeos são vítimas de diversos fatores durante o seu comércio ilegal que os deixam imunossuprimidos e, consequentemente, propícios às enfermidades fúngicas.

Dos 38 milhões de animais silvestres que são retirados da natureza anualmente no Brasil, a maioria são aves, e os psitacídeos estão entre os principais grupos alvo. O índice de mortalidade é alto devido ao manejo inadequado (o que inclui má alimentação e higiene) e estresse durante a captura, comercialização e criação ilegal. Quando sobrevivem, acabam adquirindo com isso queda de resistência imunológica, o que pode resultar no desenvolvimento de doenças, incluindo as micoses.

As infecções oportunistas por fungos ocorrem principalmente em casos de animais imunodeprimidos, sendo que a sua principal forma de contágio é por inalação. Fatores relacionados também com o desenvolvimento fúngico são as alterações climáticas, falta de higiene e alta densidade populacional no cativeiro.

São diversas as enfermidades provocadas por fungos que podem acometer os psitacídeos, porém aqui iremos falar somente de duas delas que são bastante comuns: aspergilose e candidose.

Foto: Acervo CETAS- BH

Aspergilose

Aspergilose é uma infecção provocada pela espécie Aspergillus spp., fungos filamentosos que afetam o trato respiratório das aves. Entretanto, é possível também encontrar esses agentes no sistema nervoso central, olhos e sistema digestivo. Ela ocorre, geralmente, através da inalação de conídeos (propágulos assexuados globosos e equinulados) liberados no ambiente.

Tal doença é mais recorrente em psitacídeos jovens e/ou imunocomprometidos, resultando em elevada morbidade e mortalidade dos indivíduos, sendo essa manifestação considerada aguda. As espécies mais comuns de Aspergillus encontradas na maioria dos surtos são: A. fumigatus e A. flavus. Outra forma de manifestação do fungo é a crônica, presente normalmente em aves adultas. Ambas as formas de aparição de tal enfermidade não são contagiosas, nem capazes de se transmitirem de um animal a outro.

Segundo o estudo de Marcelo Fraga feito no CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) do Rio de Janeiro, em 2011, em que foram analisadas nove espécies diferentes de psitacídeos, por quatro meses, as Maritacas foram as que apresentaram a maior quantidade de animais de uma mesma espécie com resultado positivo para Aspergillus.

Quando apresentados os sintomas, esses incluem problemas respiratórios como rinite (dificuldade para respirar, abertura frequente do bico e respiração muito ruidosa), mudanças na vocalização e movimento da cauda acompanhando a respiração. Em caso de manifestação na forma ocular, o animal apresenta irritação nos olhos, inchaço e lacrimejo. Com o tempo podem aparecer pontos brancos que, com o seu avanço, podem acabar provocando a perda de visão. Além disso, há letargia, perda de peso, dispnéia e obstrução parcial ou total do lúmen respiratório.

Candidose

Candidose é uma infecção provocada pelo fungo do gênero Candida, um tipo de levedura que comumente apresenta uma relação de comensalismo com os animais. A doença é desencadeada em casos de desequilíbrio da flora corpórea da ave, assim como ocorrem nos casos de imunodepressão, más condições de manejo e higiene. A doença também tem como alvo os psitacídeos jovens.

Tal enfermidade é provocada com maior frequência pela Candida albicans e se caracteriza pelo engrossamento de tecidos do papo e pró-ventrículo que acabam por ficar esbranquiçados. Além disso, ocorrem lesões pelo trato digestivo e ulcerativas no intestino da ave. Diante disso, o indivíduo pode apresentar apatia, diarréia e regurgitação.

Animais com acometimento do bico e/ou boca apresentam placas brancas, muco e mau hálito e, em casos de acometimento do sistema digestório, a doença pode vir a se espalhar pelos olhos, sistema reprodutivo, sistema urinário e se tornar sistêmica em situações mais graves.

Micoses em psitacídeos jovens

Ao longo do que foi falado, foi possível ver que, geralmente, os psitacídeos jovens são mais susceptíveis às infecções micóticas independentemente da imunodepressão.

Os psitacídeos jovens são aves com sistema imune imaturo e microbiota gastrointestinal em processo de formação, o que explica essa susceptibilidade. Pelo mesmo motivo, é necessária a identificação do fungo e tratamento rápido dos indivíduos infectados.


Foto: 
Acervo CETAS-BH

Em 2009, Vieira e Coutinho realizaram um estudo com 40 filhotes de papagaio do gênero Amazona apreendidos pelo tráfico de animais silvestres, sendo as espécies: A. aestiva e A. amazonica. Como resultado, identificaram 25 cepas de Candida spp.: 60% estavam presentes em aves imunossuprimidas e os outros 40% em aves não imunossuprimidas, o que provou que psitacídeos filhotes imunodeprimidos apresentam maior propensão em adquirir fungos.

Autora: Júlia Olbrisch Ferraz
Referências
BANDEIRA, J. M..; COSTA, E. F.; SILVA, M. H.; FRANCO, L. O. Incidência de Aspergilose em aves domésticas e silvestres.
XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro.
BROCA, M. S.; SANTOS, A. P. C. : Candidíase em psitacídeos.  UNIBRASIL (Centro Universitário Autônomo do Brasil): v.5n. 1 (2019): Caderno de Resumos. Disponível em: https://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/anaisevinci/article/view/4885
BUCHERONI, G.: Onde está a fauna brasileira? Panorama do tráfico de animais revela futuro preocupante. 2019. Disponível em: http://www.renctas.org.br/onde-esta-a-fauna-brasileira-panorama-do-trafico-de-animais-revela-futuro-preocupante/
FRAGA, C. F.; OCORRÊNCIA DE DOENÇAS MICÓTICAS EM AVES SILVESTRES NO BRASIL
Trabalho apresentado como requisito parcial para graduação em Medicina Veterinária
FRAGA, M. E., MEDEIROS, M. E. DA S. AND NEVES, D. M. (2011) “STUDY OF THE Aspergilli DURING THE PERIOD OF QUARANTINE OF PSITACID BIRDS AT THE CENTRO DE TRIAGEM DE ANIMAIS SILVESTRES (CETAS), IBAMA, SEROPÉDICA, RJ”, Brazilian Journal of Veterinary Medicine, 33(2), pp. 68-72. Available at: http://rbmv.org/index.php/BJVM/article/view/792
MANGINI, J. : Pesquisa detecta bactérias e fungos em 62% de passarinhos traficados. 2014. Disponível em: http://agencia.fapesp.br/pesquisa-detecta-bacterias-e-fungos-em-625-de-passarinhos-traficados/19558/
MELVILLE, P. A. : Caracterização da microbiota intestinal bacteriana e fungica em passeriformes silvestres confiscados do tráfico que serão submetidos a programas de realocação. São Paulo, 2011-2013.  Disponível em: https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/45528/caracterizacao-da-microbiota-intestinal-bacteriana-e-fungica-em-passeriformes-silvestres-confiscados
OLIVEIRA, B. : Aspergilose em calopsitas. 2013. Disponível em: https://www.petlove.com.br/dicas/aspergilose-em-calopsitas
PESSOA, C. A. : Artigo: Aspergilose nas aves domésticas, exóticas e silvestres. 2015. Disponível em: https://clubedascalopsitas.com.br/topic/71-artigo-aspergilose-nas-aves-dom%C3%A9sticas-ex%C3%B3ticas-e-silvestres-dr-alexandre-pessoa/
TEIXEIRA, V. M.C.: Candidíase em calopsitas. 2012. Disponível em: https://www.petshopauqmia.com.br/2012/11/01/candidiase-em-calopsitas/

O PROBLEMA DA HUMANIZAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES

O PROBLEMA DA HUMANIZAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES

Foto: Internet

“Cuida bem do meu filho”, “É como um membro da família”. Essas são frases que nós costumamos escutar muito quando pessoas se referem a algum pet ou animal silvestre criado em cativeiro.

Esse é um assunto polêmico, onde a diferenciação no tratamento dos animais pode trazer grandes consequências não só para eles, mas também para a gente. O risco de transmissão de doenças é muito maior quando o animal vive diariamente no mesmo ambiente que as pessoas. Além disso, o animal pode desenvolver distúrbios no comportamento, principalmente quando são espécies sociáveis, e acabam se identificando com seus donos.

Quando se trata de animais silvestres, temos outro ponto chave na questão da humanização: a reintrodução desses indivíduos na natureza. O animal humanizado tem dificuldades imensamente maiores para se adaptar ao novo estilo de vida para ser livre. 

Um dos maiores exemplos que temos, quando se trata de domesticação e humanização de animais silvestres, são os macacos-pregos. Por serem animais carismáticos, habilidosos e socializáveis, esses animais ganham muita atenção, mas a domesticação de primatas pode oferecer muitos riscos. 

A raiva, febre hemorrágica, hepatites, herpes símia (B), tétano, amebíase e tuberculose, são exemplos de doenças que, ao compartilhar do mesmo ambiente diariamente com primatas, podem ser transmitidas para a gente, assim como, esses animais também podem se infectar com doenças transmitidas por nós.

Normalmente as pessoas pegam o primata quando ainda é filhote e começam sua domesticação nessa fase, quando o animal ainda é dócil e carinhoso. Mas à medida que o animal vai crescendo e atinge a puberdade, os primatas começam a demonstrar temperamentos difíceis, tornado-se agressivos e possessivos. Por não conseguir lidar com esse novo comportamento arredio, os macacos então perdem seu encanto e doçura, e muitos de seus donos procuram entregar o animal, ou pior, fazem a soltura indevida do animal na natureza.

Foto: Watchara Phomicinda, 2009

Outro grande exemplo são os papagaios, que geralmente são retirados do ninho ainda filhotes, sem nunca terem contato com outros indivíduos da mesma espécie. São então criados por humanos, comendo biscoito, pão, café e aprendendo a imitar falas e até imitando sons de carros e campainha.

Esses animais chegam aos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres completamente humanizados. Com dietas desequilibradas e impróprias, cantando ao invés de vocalizar, usando roupas ou até mesmo fraldas e acostumados com o contato humano.

A personalidade desses animais pode influenciar seus comportamentos de sobrevivência e reprodução na natureza, afetando sua noção de perigo, da presença de predadores; causando falta de agressividade, sociabilidade com outros indivíduos da mesma espécie e capacidade de buscar comida e se alimentar sozinho.


Foto: 
Marcos Serra Lima/EGO, 2014

Mas isso não significa que ele não irá conseguir voltar para a natureza!!

Existem técnicas para manejar esses animais, a fim de garantir que ele volte a expressar seus comportamentos naturais! Ao ser reabilitado, a primeira medida a ser tomada é evitar ao máximo o contato humano, colocando-o próximo a indivíduos da mesma espécie, para um período de adaptação. Em seguida, quando o animal estiver mais tranquilo, é colocado em contato com outros para tentar socializar. São realizados também diversos tipos de enriquecimentos ambientais, para estimular a busca de alimento e melhorar suas habilidades cognitivas. 

Outra técnica muito interessante que é utilizada na reintrodução de animais na natureza é o treinamento anti-predação, fazendo com que aprendam a ter medo e fugir de seus predadores. Um bom exemplo disso é observado no PROJETO VOAR realizado pelo Waita, no qual, vários papagaios domesticados foram reintroduzidos na natureza e monitorados para avaliar seu desempenho em vida livre. O projeto rendeu resultados maravilhosos! Para saber mais sobre o projeto e ler os artigos produzidos você pode acessar o Projeto Voar no nosso site!

Autora: Inaiá Ramirez Tupinambás
REFERÊNCIAS 
ASSOCIAÇÃO ANIMAL CARE. Os perigos causados pela domesticação do Macaco-prego. Disponível em: https://associacaoanimalcare.com.br/domesticacao-macaco-prego/>. Acesso em 29 set de 2020.
BRAGA, ERNESTO. Papagaios domesticados são devolvidos ao habitat para preservação da espécie. Disponível em:<https://www.hojeemdia.com.br/horizontes/papagaios-domesticados-s%C3%A3o-devolvidos-ao-habitat-para-preserva%C3%A7%C3%A3o-da-esp%C3%A9cie-1.358135>. Acesso em 29 set de 2020.
LOPES, ALICE R.S. et al. The influence of anti-predator training, personality and sex in the behavior, dispersion and survival rates of translocated captive-raised parrots.  Global ecology and conservation. Belo Horizonte, p. 146-157, 2017.

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O TRÁFICO DE PRIMATAS NO BRASIL

O TRÁFICO DE PRIMATAS NO BRASIL

Você já parou para pensar na crueldade e condições em que os animais traficados são submetidos e que muitos deles morrem antes mesmo de chegar nas mãos do comprador?

O tráfico de animais silvestres no Brasil, segundo dados do IBAMA, provoca a retirada anual de aproximadamente 38 milhões de exemplares das florestas e matas. O alto índice de retirada dos animais de seu habitat coloca em risco de extinção um número cada vez maior de animais, além de contribuir com a exploração econômica de florestas. Os animais capturados no Brasil, em sua maioria, são comercializados no próprio território brasileiro, sendo que as regiões mais afetadas são o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.Os primatas são visados pelas pessoas como pet por serem muito inteligentes e por sua grande semelhança com os seres humanos. Por serem animais não convencionais para se ter em casa, acabam sendo, também, um objeto de ostentação.

Foto: Acervo CETAS-BH
Consequências do tráfico
 
Ao contrário de animais de estimação, todos os primatas precisam de extensos períodos de aprendizagem com suas mães. Isso significa que afastá-los de suas mães ainda com meses de idade faz com que não saibam como se comportar e acabam se tornando humanizados. Como a maioria desses macacos acaba abandonada, torna-se muito difícil reabilitá-los para voltarem para a natureza. 
 
Muitas vezes os caçadores ilegais para pegar os filhotes acabam matando suas mães e mesmo macacos criados em cativeiro quando são separados da mãe acabam ficando tristes, parando de comer e desencadeando problemas nutricionais, emocionais e físicos. 
 
Para levar os macacos às cidades para a venda, eles são escondidos em maletas, caixas de plástico e lugares muito apertados, o que leva muitos animais a morrerem asfixiados. Estima-se que, para cada macaco que sobrevive e é vendido, nove macacos morrem no transporte. Quando são comprados e chegam à idade adulta, eles se tornam mais agressivos e então acabam sendo abandonados. Em alguns casos, são presos, escondidos ou sacrificados.
Foto: M. Fogaça

Doenças 

Os primatas podem transmitir vários patógenos causadores de zoonoses e quando são criados em domicílio as chances de contaminação são ainda maiores devido a proximidade com o animal. Protozoários, ou seja, microorganismos, como por exemplo o  Toxoplasma gondii, Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, helmintos, filarídeos, estrongilídeos e ancilostomídeos, que eliminam formas contaminantes através das fezes do hospedeiro são alguns dos agentes zoonóticos que primatas não humanos podem transmitir.

Outros grupos de agentes etiológicos, como os vírus, também são responsáveis por enfermidades zoonóticas, algumas graves e perigosas, como é o caso da raiva e das hepatites virais. As hepatites virais dos tipos A e E podem ser transmitidas ao homem pelos primatas não humanos principalmente por via fecal-oral; portanto, animais portadores do vírus podem, em domicílio, contaminar o ambiente, os alimentos e, consequentemente, as pessoas.

Existem doenças que não são perigosas para macacos, mas para seres humanos podem ser mortais. Um exemplo é o vírus herpes B, presente nas populações de macacos, que nos causa uma doença neurológica fatal. Quando esses animais são comprados de forma ilegal não tem atendimento veterinário e não são vacinados.

Os animais silvestres não nasceram para viver em gaiolas nem em casas pequenas, mas sim para serem livres. A nossa biodiversidade está sendo ameaçada pela ganância humana, não  podemos aceitar e nem fomentar esse tipo de crueldade.

Autora: Luísa Lithg

 

Referências

https://ibiti.com/pt/2017/01/02/conheca-o-projeto-asas-e-a-preservacao-do-muriqui-do-norte/

Programa de Preservação do Muriqui-do-Norte.

Souza Junior JC. Perfil sanitário de bugios ruivos, Alouatta guariba clamitans (Cabrera, 1940) (Primates: Atelidae): um estudo com animais recepcionados e mantidos em perímetro urbano no município de Indaial, Santa Catarina – Brasil [dissertação]. Florianopólis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública; 2007

Diniz LSM. Primatas em cativeiro: manejo e problemas veterinários. São Paulo: ícone; 1997. 196 p.

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TEMPORADA REPRODUTIVA DAS MARITACAS – COMO ATUAR FRENTE A NINHOS EM SUA RESIDÊNCIA E COMO EVITAR ESSAS SITUAÇÕES

TEMPORADA REPRODUTIVA DAS MARITACAS – COMO ATUAR FRENTE A NINHOS EM SUA RESIDÊNCIA E COMO EVITAR ESSAS SITUAÇÕES

As maritacas, também conhecidas como periquitão-maracanã, são psitacídeos encontrados em muitos países da América do Sul, sendo, em muitos locais do continente, considerado sinantrópicos, ou seja, animais silvestres que são comumente confundidos com animais domésticos devido à sua freqüência em cidades. Nas áreas urbanas, esses animais não só sobrevivem, como também se reproduzem, o que muitas vezes gera conflitos com os humanos.

Foto: Angélica Araújo

As maritacas (Psittacara leucophtalma) antes classificadas no gênero Aratinga, são animais de coloração esverdeada que apresentam as coberteiras inferiores da asa vermelhas, podendo possuir penas vermelhas também nas laterais da cabeça e no pescoço. Pesam em torno de 140 a 171 gramas e possuem um tamanho médio de 30 a 32 centímetros. Alimentam-se de frutos e sementes e habitam na natureza, tanto áreas de bordas de mata e cerradão, como também áreas abertas.

São facilmente avistadas no período não reprodutivo, quando possuem o hábito de voar em bandos de 5 a 40 indivíduos. No entanto, os conflitos com os seres humanos começam a ocorrer entre agosto e janeiro, quando, na época reprodutiva, esses animais formam casais e procuram – cada casal isoladamente – locais para nidificar. A nidificação pode ocorrer em ocos de pau, palmeiras de buriti, paredões de pedra e no caso dos centros urbanos, comumente em telhados de edificações. Os ovos são postos diretamente na superfície do local de nidificação, como em muitos psitacídeos e assim, não possuem o hábito de juntar material para a construção de um ninho, como muitas vezes observados em espécies de passeriformes. Nas edificações tendem a se manter discretas, mas muitas são as pessoas que se incomodam (principalmente quando as maritacas entram nos forros das casas) observando barulhos tanto da vocalização como da movimentação dos pais e filhotes. Além do mais, tendem a roer fios e forros se esses estiverem presentes, podendo causar no caso da fiação, curto-circuito.

Foto: Mundo ecologia

O QUE FAZER QUANDO SUA CASA SE TORNA UM LOCAL DE NIDIFICAÇÃO E COMO EVITAR

Conforme a lei 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) a destruição de ninhos, abrigos ou criadouros naturais é considerada crime ambiental. Assim, quando já houver um ninho em sua residência, o correto e única coisa a se fazer é aguardar o crescimento dos filhotes, visto que ao crescerem irão abandonar o ninho. O período entre a postura os ovos e a saída dos filhotes do ninho leva e 40 a 60 dias. Após esse período técnicas de prevenção podem ser aplicadas a fim de evitar que na próxima temporada reprodutiva, um novo casal nidifique no local.

Para evitar a nidificação basta observar todos os possíveis locais de entrada de indivíduos adultos e tampá-los, seja fixando telas nos vãos entre as telhas ou fechando os locais com qualquer outro material minimamente resistente.

Foto: Estalagem do Mirante

Autora: Jéssica Oliveira Amaral

Referências:

FOLDER: Centro de triagem de animais silvestres.

RIDGELY, R. S., et al. Aves do Brasil: Mata Atlântica do Sudeste. São Paulo: Editora Horizonte. 2015. 417p.

WIKIAVES.  Periquitão maracanã. Disponível em: https://www.wikiaves.com.br/wiki/periquitao-maracana.  Acesso em: 23/03/2020.

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DIA 09 DE SETEMBRO- DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

DIA 09 DE SETEMBRO- DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

Comemorado no dia 09 de setembro o dia do médico veterinário celebra a profissão responsável por cuidar da saúde dos animais e também da preservação da saúde humana.

Foto: Clínica Vet Produtor

A profissão 

A história da medicina veterinária surgiu desde os tempos primitivos quando o homem começou a domesticar os animais, mas somente em 1761 que a veterinária passou a ser uma profissão científica por meio da criação da primeira escola de medicina veterinária na França. Já no Brasil somente em 1910 que surgiram as primeiras instituições, em 1917 os primeiros veterinários estavam se formando, mas somente em 9 de setembro de 1933 através do decreto Lei nº 23.133 que o primeiro diploma foi legalizado. 

Áreas de atuação 

O médico veterinário possui uma ampla área de atuação; além do atendimento de domésticos e silvestres em clínicas de pequenos e grandes animais, podem atuar como consultores, responsáveis técnicos, área acadêmica, perícias, laboratórios, fiscalização e produção de produtos de origem animal, produção de vacinas e medicamentos para uso animal, na área comercial entre outras. 

O papel do Médico Veterinário na conservação da vida silvestre

A atuação no âmbito da conservação da fauna ocorre ex-situ, nos zoológicos, aquários, criadouros, centros de reabilitação (CETAS e CRAS); como in situ, desenvolvendo e participando de projetos na natureza onde o fator doença ou a contenção farmacológica se fazem necessários, como nos processos de translocação de fauna. Com isso, o médico veterinário atua reduzindo o risco de enfermidades de natureza infecciosa ou infecto-contagiosa que possam veicular entre os animais, protegendo a vida individual e coletiva, impedindo a propagação de agentes patogênicos no meio ambiente e zelando pelo bem-estar e pela ética na manutenção de fauna. 

Médicos veterinários de selvagens podem ainda participar de comitês e planos de manejo (ex-situ e in-situ) de espécies potencialmente ameaçadas de extinção, atuando não apenas no monitoramento, como também na reprodução ex-situ, utilizando biotécnicas de reprodução, como inseminação artificial, fecundação in vitro, dentre outras.

Autora: Fabiana Costa Machado


Bibliografia

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE VETERINÁRIOS DE ANIMAIS SELVAGENS. O Médico Veterinário de Animais Selvagens. Disponível em: https://www.abravas.org.br/conteudo.php?go=2&file=diretoria-e-conselhos.html. Acesso em: 05 set. 2020.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Sobre a instituição: história. Brasília, 2020. Disponível em: http://portal.cfmv.gov.br/pagina/index/id/40/secao/1. Acesso em: 31 ago. 2020.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Áreas de atuação. Brasília, 2020. Disponível em: http://portal.cfmv.gov.br/pagina/index/id/67/secao/5. Acesso em: 31 ago. 2020

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O QUE NOS MOVE? CONCEITO DE BIOFILIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A CONSERVAÇÃO

O QUE NOS MOVE? CONCEITO DE BIOFILIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A CONSERVAÇÃO

É comum que pessoas que gostem muito de animais cresçam ouvindo frases de caráter negativo do tipo “Você é louco (a)!”, “Como você consegue encostar nisso?”, “Você não tem medo?”. Principalmente quando não existem pessoas próximas da área ambiental na família, muitos parentes se questionam: De onde surgiu isso?

Bom, existe uma explicação científica e evolucionista para pessoas que nascem amantes da natureza e dos animais. A Biofilia, que significa amor pela vida (bio=vida; philia=afeição, amor), é um termo que foi popularizado pelo biólogo Edward O. Wilson em 1984, quando lançou um livro chamado “Biophilia”. Wilson defende em seu livro que a ligação emocional que nós temos com a natureza e outros seres vivos é uma característica hereditária, ou seja, que está em nossos genes, e foi transmitida ao longo dos processos evolutivos, pois representava sobrevivência. 

Apesar da teoria de Wilson, a biofilia como característica herdada não é cientificamente comprovada. Hoje em dia, acredita-se que, se é uma tendência genética, ela é fraca e o ambiente em que nós estamos inseridos é o que realmente molda a forma como interagimos com a natureza e nos sentimos em relação a ela. 

O contexto pessoal, social e cultural que envolve cada um de nós impacta diretamente na relação que temos com a natureza. Então, mesmo que a biofilia seja hereditária, a necessidade de reforçar as conexões com a natureza é fundamental.

É importante incentivar a formação de um caráter biofílico, principalmente em crianças.  Acredita-se que o contato com a natureza seja capaz de influenciar crianças a desenvolverem atitudes biofílicas (afeição) ou biofóbicas (medo) o que, consequentemente, afeta suas atitudes perante a conservação.

Dessa forma, teríamos mais crianças dispostas a cuidar e conservar a natureza e dispersando atitudes biofílicas em relação à vida selvagem. Quem sabe até mesmo possíveis cientistas no futuro.

Autora: Cristianne Albergaria

Referências: 

KRČMÁŘOVÁ, Jana. EO Wilson’s concept of biophilia and the environmental movement in the USA. Klaudyán: Internet J Histor Geogr Environ History, v. 6, n. 1/2, p. 4-17, 2009.

SIMAIKA, John P.; SAMWAYS, Michael J. Biophilia as a universal ethic for conserving biodiversity. Conservation Biology, v. 24, n. 3, p. 903-906, 2010.

ZHANG, Weizhe; GOODALE, Eben; CHEN, Jin. How contact with nature affects children’s biophilia, biophobia and conservation attitude in China. Biological Conservation, v. 177, p. 109-116, 2014.

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DIFERENÇAS ENTRE OS QUELÔNIOS

DIFERENÇAS ENTRE OS QUELÔNIOS

Os cágados e os jabutis são quelônios, da classe dos répteis da Ordem Chelonia, a aparência um pouco semelhante pode gerar confusão, porém eles são animais bem distintos e cheios de particularidades. Mas uma semelhança entre esses animais é que todos são ectotérmicos, isso quer dizer que a variação da temperatura ambiente interfere na sua temperatura corporal, sendo assim as estações do ano interferem bastante no metabolismo desses animais, portanto no verão eles tendem a ser mais ativos, devido ao aumento do metabolismo e no inverno consequentemente o metabolismo se torna mais lento. 

O cágado, por exemplo, é um quelônio de água doce, semi-aquático, o que significa que ele transita entre a terra e a água. Por isso, seu casco é mais achatado com características hidrodinâmicas, e nos dedos possuem unhas para auxiliar na locomoção. Sua alimentação é a base de peixes, frutas, insetos, moluscos e plantas das margens dos rios. Dentro da espécie temos o tigre-d’água ou tigre-d’água-brasileiro (Trachemys dorbigni) e a tartaruga-de-orelha-vermelha ou tigre-d’água-americano (Trachemys scripta elegans). Ambas são espécie muito parecidas, porém conseguimos citar algumas diferenças, como por exemplo: o americano possui um sinal vermelho na lateral da cabeça caracterizando o seu nome, enquanto o brasileiro possui uma mancha oval na lateral da cabeça em um tom amarelado.

Imagem 1.  (Trachemys dorbigniFonte: Portal Melhores Amigos ; Imagem 2 (Trachemys scripta elegans). Fonte: Blog do Dr. Fala 

Temos também o cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus) que possui um prolongamento abaixo da boca, aparentando uma barbicha, e o cágado-de- pescoço-de-cobra (Hydromedusa tectifera), que apresenta um pescoço mais desenvolvido do que os demais cágados. Além disso, possui também na parte lateral da cabeça uma mancha alaranjada que se estende até o final do pescoço.

Imagem 1. (Phrynops geoffroanus). Foto: Alexandre Machado Imagem 2. (Hydromedusa tectifera). Luís Adriano Funez 

Já os jabutis são exclusivamente terrestres. No entanto, em dias quentes podem procurar água para se refrescarem, pois são animais sensíveis a temperatura, principalmente baixas, podendo adoecer ou vim a óbito se as condições climáticas não estiverem adequadas. São lentos, possuem um casco convexo, alto e bastante pesado, suas patas traseiras são curtas e possuem um formato cilíndrico devido ao peso do casco. Possuem unhas que facilitam longas caminhadas, não possuem a capacidade de dobrar o pescoço, apenas o recolhê-lo quando se sente ameaçado. Apresenta hábitos diurnos, passando boa parte do seu tempo em busca de alimento, como frutas, verduras e legumes. No território brasileiro temos duas espécies de jabutis, são eles: o jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria), que possui uma carapaça levemente alongada, além de escamas em um tom avermelhado na cabeça e nas patas; e o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulata), que apresenta manchas amareladas. Ao contrário do jabuti-piranga, as fêmeas de jabuti-tinga espécie são maiores que os machos.

Imagem 1. (Chelonoidis carbonaria). Fonte Mundo Ecologia ;Imagem 2. (Chelonoidis denticulata). Fonte Project Noah 

Autora: Sheila Cristina Silva


Referências

BLOG DO DR. FALA. Répteis: Tartarugas. Disponível em <http://drfala.com.br/post/repteis/tartarugas/tartarugas-d-agua-e-alguns-cuidados> Acesso em 16 de agosto de 2020.

DOS SANTOS, D.R. & BLAMIRES, D. Relação entre data de descrição, tamanho corporal e área de distribuição geográfica dos quelônios sul-americanos. Biosci. J., Uberlândia. v. 28, p. 439-444, 2012.

FERREIRA JÚNIOR, P.D. Aspectos ecológicos da determinação sexual em tartarugas. Acta Amaz., Manaus. v.39, p. 139-154, 2009.

INSTITUTO CHICO MENDES DE BIODIVERSIDADE. Répteis – Trachemys dorbigni – Tigre d’água. Disponível em <https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7430-repteis-trachemys-dorbigni-tigre-d-agua> Acesso em 16 de agosto de 2020.

JABUTICON. Sobre o Jabuti. Disponível em <http://www.jabuticon.com.br/sobre-o-jabuti> Acesso em 16 de agosto de 2020.

JARED, C.; ANTONIAZZI, M.M.; CALLEFFO, M.E.V. Quelônios, crocodilianos, lagartos e anfisbenídeos. 1ed. – São Paulo: Instituto Butantan, 2016. 20p.

PORTAL MELHORES AMIGOS. Tartarugas d’água: conheça os hábitos e cuidados com esses pets. Disponível em <http://portalmelhoresamigos.com.br/tartarugas-dagua-conheca-os-habitos-e-cuidados-com-esses-pets/>. Acesso em 16 de agosto de 2020.

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IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA DOS GAMBÁS

IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA DOS GAMBÁS

Gambás
Foto: Acervo CETAS- BH

O gambás (Didelphis sp.) são comumente conhecidos por diversos mitos, como seu suposto perigo para o homem e seu mal cheiro, que são informações falsas. Eles não são como as jaritatacas, que soltam os famosos jatos de odor forte. O cheiro do gambá serve para marcar território e só representam perigo quando ameaçados, como qualquer outro animal.

A falta de conhecimento sobre a importância desses animais faz com que esses acabem sofrendo pela ignorância de muitos, sendo assassinados em vários casos.

Enriquecimento alimentar
Foto: Acervo CETAS-BH

Hoje, iremos falar sobre a importância ecológica dos gambás. Antes, é importante ter em mente que essa espécie é onívora, ou seja, se alimentam de pequenos vertebrados, ovos, frutos e raízes. Os gambás têm no seu sangue substâncias que inibem o veneno de escorpiões e cobras, como jararacas, corais e cascavéis, o que os torna ótimos predadores desses. E, mais, os gambás podem ser responsáveis por um novo soro que ajuda no tratamento dessas picadas: as proteínas do sangue deles bloqueiam os efeitos locais, como hemorragia e edema. Além disso, ajudam no controle de espécies consideradas pragas na agricultura, como insetos e roedores, evitando um desequilíbrio na cadeia alimentar do ecossistema. Eles também são responsáveis pelo controle da população de carrapatos, que transmitem inúmeras doenças tanto para o ser humano como para outros animais, como os cães. Em uma semana, um gambá pode comer mais de 4.000 carrapatos!

Enriquecimento ambiental
Fonte: 
Acervo CETAS-BH

Além disso, os gambás têm grande importância para a flora, pois são grandes dispersores de sementes que são liberadas em suas fezes. E, foi descoberto em 2019, que eles são polinizadores de uma espécie de cogumelo, comumente conhecida como cogumelo-de-sangue (Scybalium fungiforme), já que eles são os únicos que conseguem chegar até a parte interior da estrutura e ter acesso ao seu néctar.

É notável a importância ecológica dos gambás, e é importante a divulgação dessas informações, para que cada vez mais pessoas possam saber do importante papel que esses animais possuem no ambiente.

Autora: Gabriella Rocha Franca

Referências:

CHAGAS,
Catarina. No gambá, a solução para mordidas de cobras. 2005. Disponível em:
<https://agencia.fiocruz.br/no-gamb%C3%A1-a-solu%C3%A7%C3%A3o-para-mordidas-de-cobras>
Acesso em: 11 ago. 2020.

GUIMARÃES,
Maria. Câmeras noturnas flagram polinização inédita, por gambá. 2020.
Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/flor-polinizada-por-gamba-surpreende-pesquisadores/>
Acesso em: 11 ago. 2020.

MACEDO,
Iasmin. O gambá pode comer 4000 carrapatos em uma semana! 2017. Disponível em:
<https://www.google.com/amp/s/www.ultimosrefugios.org.br/single-post/2017/10/30/O-gamb%25C3%25A1-pode-comer-4000-carrapatos-em-uma-semana>
Acesso em: 11 ago. 2020.

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