DIFERENÇAS ENTRE OS QUELÔNIOS

DIFERENÇAS ENTRE OS QUELÔNIOS

Os cágados e os jabutis são quelônios, da classe dos répteis da Ordem Chelonia, a aparência um pouco semelhante pode gerar confusão, porém eles são animais bem distintos e cheios de particularidades. Mas uma semelhança entre esses animais é que todos são ectotérmicos, isso quer dizer que a variação da temperatura ambiente interfere na sua temperatura corporal, sendo assim as estações do ano interferem bastante no metabolismo desses animais, portanto no verão eles tendem a ser mais ativos, devido ao aumento do metabolismo e no inverno consequentemente o metabolismo se torna mais lento. 

O cágado, por exemplo, é um quelônio de água doce, semi-aquático, o que significa que ele transita entre a terra e a água. Por isso, seu casco é mais achatado com características hidrodinâmicas, e nos dedos possuem unhas para auxiliar na locomoção. Sua alimentação é a base de peixes, frutas, insetos, moluscos e plantas das margens dos rios. Dentro da espécie temos o tigre-d’água ou tigre-d’água-brasileiro (Trachemys dorbigni) e a tartaruga-de-orelha-vermelha ou tigre-d’água-americano (Trachemys scripta elegans). Ambas são espécie muito parecidas, porém conseguimos citar algumas diferenças, como por exemplo: o americano possui um sinal vermelho na lateral da cabeça caracterizando o seu nome, enquanto o brasileiro possui uma mancha oval na lateral da cabeça em um tom amarelado.

Imagem 1.  (Trachemys dorbigniFonte: Portal Melhores Amigos ; Imagem 2 (Trachemys scripta elegans). Fonte: Blog do Dr. Fala 

Temos também o cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus) que possui um prolongamento abaixo da boca, aparentando uma barbicha, e o cágado-de- pescoço-de-cobra (Hydromedusa tectifera), que apresenta um pescoço mais desenvolvido do que os demais cágados. Além disso, possui também na parte lateral da cabeça uma mancha alaranjada que se estende até o final do pescoço.

Imagem 1. (Phrynops geoffroanus). Foto: Alexandre Machado Imagem 2. (Hydromedusa tectifera). Luís Adriano Funez 

Já os jabutis são exclusivamente terrestres. No entanto, em dias quentes podem procurar água para se refrescarem, pois são animais sensíveis a temperatura, principalmente baixas, podendo adoecer ou vim a óbito se as condições climáticas não estiverem adequadas. São lentos, possuem um casco convexo, alto e bastante pesado, suas patas traseiras são curtas e possuem um formato cilíndrico devido ao peso do casco. Possuem unhas que facilitam longas caminhadas, não possuem a capacidade de dobrar o pescoço, apenas o recolhê-lo quando se sente ameaçado. Apresenta hábitos diurnos, passando boa parte do seu tempo em busca de alimento, como frutas, verduras e legumes. No território brasileiro temos duas espécies de jabutis, são eles: o jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria), que possui uma carapaça levemente alongada, além de escamas em um tom avermelhado na cabeça e nas patas; e o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulata), que apresenta manchas amareladas. Ao contrário do jabuti-piranga, as fêmeas de jabuti-tinga espécie são maiores que os machos.

Imagem 1. (Chelonoidis carbonaria). Fonte Mundo Ecologia ;Imagem 2. (Chelonoidis denticulata). Fonte Project Noah 

Autora: Sheila Cristina Silva


Referências

BLOG DO DR. FALA. Répteis: Tartarugas. Disponível em <http://drfala.com.br/post/repteis/tartarugas/tartarugas-d-agua-e-alguns-cuidados> Acesso em 16 de agosto de 2020.

DOS SANTOS, D.R. & BLAMIRES, D. Relação entre data de descrição, tamanho corporal e área de distribuição geográfica dos quelônios sul-americanos. Biosci. J., Uberlândia. v. 28, p. 439-444, 2012.

FERREIRA JÚNIOR, P.D. Aspectos ecológicos da determinação sexual em tartarugas. Acta Amaz., Manaus. v.39, p. 139-154, 2009.

INSTITUTO CHICO MENDES DE BIODIVERSIDADE. Répteis – Trachemys dorbigni – Tigre d’água. Disponível em <https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7430-repteis-trachemys-dorbigni-tigre-d-agua> Acesso em 16 de agosto de 2020.

JABUTICON. Sobre o Jabuti. Disponível em <http://www.jabuticon.com.br/sobre-o-jabuti> Acesso em 16 de agosto de 2020.

JARED, C.; ANTONIAZZI, M.M.; CALLEFFO, M.E.V. Quelônios, crocodilianos, lagartos e anfisbenídeos. 1ed. – São Paulo: Instituto Butantan, 2016. 20p.

PORTAL MELHORES AMIGOS. Tartarugas d’água: conheça os hábitos e cuidados com esses pets. Disponível em <http://portalmelhoresamigos.com.br/tartarugas-dagua-conheca-os-habitos-e-cuidados-com-esses-pets/>. Acesso em 16 de agosto de 2020.

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IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA DOS GAMBÁS

IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA DOS GAMBÁS

Gambás
Foto: Acervo CETAS- BH

O gambás (Didelphis sp.) são comumente conhecidos por diversos mitos, como seu suposto perigo para o homem e seu mal cheiro, que são informações falsas. Eles não são como as jaritatacas, que soltam os famosos jatos de odor forte. O cheiro do gambá serve para marcar território e só representam perigo quando ameaçados, como qualquer outro animal.

A falta de conhecimento sobre a importância desses animais faz com que esses acabem sofrendo pela ignorância de muitos, sendo assassinados em vários casos.

Enriquecimento alimentar
Foto: Acervo CETAS-BH

Hoje, iremos falar sobre a importância ecológica dos gambás. Antes, é importante ter em mente que essa espécie é onívora, ou seja, se alimentam de pequenos vertebrados, ovos, frutos e raízes. Os gambás têm no seu sangue substâncias que inibem o veneno de escorpiões e cobras, como jararacas, corais e cascavéis, o que os torna ótimos predadores desses. E, mais, os gambás podem ser responsáveis por um novo soro que ajuda no tratamento dessas picadas: as proteínas do sangue deles bloqueiam os efeitos locais, como hemorragia e edema. Além disso, ajudam no controle de espécies consideradas pragas na agricultura, como insetos e roedores, evitando um desequilíbrio na cadeia alimentar do ecossistema. Eles também são responsáveis pelo controle da população de carrapatos, que transmitem inúmeras doenças tanto para o ser humano como para outros animais, como os cães. Em uma semana, um gambá pode comer mais de 4.000 carrapatos!

Enriquecimento ambiental
Fonte: 
Acervo CETAS-BH

Além disso, os gambás têm grande importância para a flora, pois são grandes dispersores de sementes que são liberadas em suas fezes. E, foi descoberto em 2019, que eles são polinizadores de uma espécie de cogumelo, comumente conhecida como cogumelo-de-sangue (Scybalium fungiforme), já que eles são os únicos que conseguem chegar até a parte interior da estrutura e ter acesso ao seu néctar.

É notável a importância ecológica dos gambás, e é importante a divulgação dessas informações, para que cada vez mais pessoas possam saber do importante papel que esses animais possuem no ambiente.

Autora: Gabriella Rocha Franca

Referências:

CHAGAS,
Catarina. No gambá, a solução para mordidas de cobras. 2005. Disponível em:
<https://agencia.fiocruz.br/no-gamb%C3%A1-a-solu%C3%A7%C3%A3o-para-mordidas-de-cobras>
Acesso em: 11 ago. 2020.

GUIMARÃES,
Maria. Câmeras noturnas flagram polinização inédita, por gambá. 2020.
Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/flor-polinizada-por-gamba-surpreende-pesquisadores/>
Acesso em: 11 ago. 2020.

MACEDO,
Iasmin. O gambá pode comer 4000 carrapatos em uma semana! 2017. Disponível em:
<https://www.google.com/amp/s/www.ultimosrefugios.org.br/single-post/2017/10/30/O-gamb%25C3%25A1-pode-comer-4000-carrapatos-em-uma-semana>
Acesso em: 11 ago. 2020.

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PORQUE O ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL É TÃO IMPORTANTE?

PORQUE O ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL É TÃO IMPORTANTE?

Enriquecimento alimentar com psitacídeos
Foto: Acervo CETAS- BH

O tratamento de animais silvestres em cativeiro requer uma série de atenções especiais. Isso ocorre porque, nessas situações esses tendem a apresentar comportamentos diferenciados por não estarem em seu meio natural, como estresse, apatia e monotonia. Essas limitações podem ser geradas devido a restrições de espaço, alimentação de fácil acesso, falta de interação com outras espécies e até com indivíduos da mesma espécie, dentre outras causas. Por isso, a fim de trabalhar o bem-estar desses animais, devemos encontrar os melhores métodos para melhorar o ambiente em que vivem.

 O Enriquecimento Ambiental é um exemplo de como podemos melhorar a qualidade de vida dos animais, mesmo com pouco recurso financeiro e reaproveitando materiais. Os equipamentos, na maioria das vezes, são produzidos com materiais reutilizados e recursos biológicos, como por exemplo, caixas de papelão, troncos de árvores, folhas, garrafas pet, entre outros. Podemos utilizar também alimentos das dietas dos animais, sendo estes fornecidos de formas diferentes, para criar desafios na obtenção do alimento, como acontece na natureza. Podemos explorar os sentidos, a capacidade física e até mesmo cognitiva, fazendo com que os animais usem sua curiosidade, criatividade, e habilidades para conseguirem cumprirem os objetivos propostos pela atividade. Dessa forma, os enriquecimentos atuam promovendo o bem-estar físico e psicológico dos animais, por estimulá-los a expressarem comportamentos naturais.

Enriquecimento alimentar
Foto: Acervo CETAS-BH

Estas práticas devem ser planejadas com base nos comportamentos naturais da espécie-alvo e estar inseridas em um programa de enriquecimento ambiental previamente definido pela equipe responsável. A fim de se planejar um enriquecimento efetivo é importante ter em mente que: para não perderem a característica de novidade, os elementos não devem permanecer muito tempo no recinto; que o tipo e a frequência do enriquecimento deve ser diversificada, para evitar se tornar rotina; e que todo o período de contato do animal com os objetos deve ser monitorado, para garantir a segurança do animal.

Enriquecimento ambiental
Fonte: 
Acervo CETAS-BH

Assim sendo, o enriquecimento ambiental serve como um agente transformador, propiciando bem-estar para os animais e permitindo que se criem situações semelhantes ao habitat natural de cada espécie, para que os animais vivam de forma saudável.

Sandra Mara Ferreira Brito Dias Silva

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EXPLICANDO O NOME POPULAR E O NOME CIENTÍFICO DOS ANIMAIS

EXPLICANDO O NOME POPULAR E O NOME CIENTÍFICO DOS ANIMAIS

Foto: Bruno Kaneschi

Em muitas de nossas postagens, seja no facebook ou no instagram, em artigos, jornais e revistas vocês já devem ter visto a utilização desses nomes. Também podem ser vistos quando as pessoas realizam entregas voluntárias ou levam animais silvestres recolhidos para o CETAS, no qual elas recebem um termo de entrega de animais silvestres, com todas as informações da entrega, incluindo nome popular e o nome científico. Mas você sabe o porquê desses dois nomes? Peguemos uma ave como exemplo, a Maritaca ou Psittacara leucophthalmus.
Maritaca se trata de um nome popular pelo qual o animal é conhecido, entretanto, por se tratar de um nome popular, ele pode mudar de acordo com a região. Por exemplo, no site do Wikiaves podemos ver alguns outros nomes como: Periquitão Maracanã, Guira Juba, Maracanã… dentre outros. Não apenas isso, outros animais também podem vir a ser conhecidos pelo mesmo nome popular, como é o caso da Maitaca Verde (Pionus maximiliani) e do Periquito Rico (Brotogeris tirica).

Foto: Mauro Halpern

Dessa forma, identificar um animal seria uma tarefa trabalhosa. Esse problema acerca das variações e regionalismos dos nomes de espécies é algo que é discutido há muito tempo pelos cientistas. A nomenclatura usada atualmente foi proposta em 1758, através 10° edição da System Naturae, do naturalista sueco Carlus Linnaeus, mais conhecido por Lineu, onde ele propôs o esquema de nomenclatura binominal em latim. Desse modo, o primeiro nome é genérico, e reflete os caracteres comuns a um grupo como um todo, e o segundo é específico, refletindo os caracteres compartilhados apenas por alguns animais, compondo uma determinada espécie.

Fonte: WikiAves

No caso da maritaca (Psittacara leucophthalmus), o primeiro nome “Psittacara”, representa o gênero, e o segundo “leucophthalmus” a espécie. Segundo a lista do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos de 2015, o gênero “Psittacara” possui apenas uma espécie a “P. leucophthalmus” dentro dele, ao passo que outro gênero, como o “Amazona”, possui doze espécies diferentes dentro dele.

Mas não é só isso, também existem mais algumas regrinhas ao usar a nomenclatura binominal. Como por exemplo: os nomes científicos sempre devem ser em latim ou latinizados; a primeira letra do gênero deve ser sempre maiúscula, enquanto a da espécie, totalmente em minúscula; nomes científicos sempre devem receber algum tipo de destaque, itálico se for impresso ou sublinhado caso seja um trabalho manuscrito; dentre outras.

As demais regras para a denominação cientifica dos animais estão disponíveis no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica. – ICZN.

Assim Psittacara leucophthalmus se trata de um nome científico, em que pesquisadores, cientistas e outros profissionais da área usam para identificar o animal. Sendo um nome científico então ele é universal e único de cada espécie, reconhecido independente da região ou país em que se esteja. Dessa forma, quando é utilizado não existem dúvidas sobre qual animal se está falando, independente ou não de se ver o animal ou uma foto dele.

Autor: Marco Victor Queiroz Alves
Referências:
ARAUJO, A. P. U; BOSSOLAN, N. R. S. Noções de Taxonomia e Classificação Introdução à Zoologia. Disponível em: http://biologia.ifsc.usp.br/bio2/apostila/bio2_apostila_zoo_01.pdf. Acesso em: 25/03/2020.
LEITE, G. L. D; SÁ, V. G. M. Apostila: Taxonomia, Nomenclatura e Identificação de Espécies. Disponível em: <https://www.ica.ufmg.br/wp-content/uploads/2017/06/Apostila_Entomologia_Basica.pdf. Acesso em 26/07/2020.
PIACENTINI, V. Q. et al. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee. Revista Brasileira de Ornitologia. v. 23, n. 2, p. 91-298, jun. 2015. Disponível em: http://www.cbro.org.br/PDF/Piacentini%20et%20al%202015%20RBO.pdf. Acesso em: 02 abril 2020.
WIKIAVES. Maritaca. Disponível em:https://www.wikiaves.com/wiki/maritaca. Acesso em: 27/03/2020
WIKIAVES. Periquitão-Maracanã. Disponível em: https://www.wikiaves.com.br/wiki/periquitao-maracana. Acesso em: 25/03/2020.

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OS MORCEGOS E A RAIVA

OS MORCEGOS E A RAIVA

Foto: @pedrohenriquetunes

Em nosso post do instagram, falamos um pouco sobre os morcegos e sua importância ecológica, e neste, iremos abordar sobre a raiva, os morcegos e o que fazer caso encontre um.

Antes de tudo, é importante entender um pouco sobre a raiva e suas formas de transmissão para então entendermos o papel dos morcegos nisso tudo. 

A raiva é uma doença aguda que afeta o sistema nervoso central, causada por um vírus do gênero Lyssavirus da família Rhabdoviridae e sua letalidade é de praticamente 100%, e ainda não tem cura. Pode ser adquirida por todos os animais de sangue quente e possui 4 ciclos de transmissão: ciclo aéreo – transmitida entre morcegos -, ciclo silvestre – transmitida entre animais silvestres -, ciclo urbano – em que gatos e cachorros são reservatórios – e ciclo rural – contemplando bovinos, caprinos, suínos, etc.

Foto: @pedrohenriquetunes

Em muitas cidades, o ciclo urbano foi erradicado, mas o ciclo aéreo e silvestre permanece pois há uma constante expansão urbana, modificações e intervenções ambientais. 

A transmissão se dá por mordidas, lambedura, arranhadura ou contato com feridas, sendo o vírus eliminado pela saliva do infectado. Algumas pessoas podem pensar que apenas os morcegos hematófagos (aqueles que se alimentam de sangue) transmitem a raiva, porém, os não hematófagos não só podem transmitir como são a maioria dos casos, já que apenas 3 espécies de morcegos no mundo são hematófagos, enquanto que aproximadamente 1000 espécies se alimentam de frutos, néctar, insetos, etc. 

Morcegos com sintomas de raiva geralmente são expulsos da colônia, mas podem haver brigas e contaminar outros. Quando contaminados, apresentam comportamentos fora do comum, como perseguir outros morcegos, se chocar contra pessoas, estruturas ou outros animais, voo prejudicado devido a paralisia e geralmente são encontrados em locais não habituais como no chão, pendurados em muros, em cortinas e janelas. Nessas situações, muitas vezes na intenção de ajudar ou simplesmente pela curiosidade, as pessoas colocam sua saúde em risco ao manusear morcegos sem os devidos cuidados. Por terem o hábito de se lamber e pelo vírus ser eliminado pela saliva, podendo ficar no corpo do animal, quando uma pessoa pega um morcego sem os equipamentos de proteção como máscara, luvas de raspa ou pinça, pode ter contato com o vírus por meio de algum machucado na pele, ser arranhado ou mordido.

Fonte: @pedrohenriquetunes

Então, a orientação para quando se deparar com um morcego é não encostar e nem deixar outros animais terem contato, se for o caso, colocar uma caixa de papelão ou balde por cima e acionar entidades competentes como o Centro de Controle de Zoonoses para recolhimento do animal. Em caso de contato ou acidentes envolvendo morcegos, lave a área com água corrente e sabão e procure ajuda médica imediatamente. Mesmo não havendo cura para a raiva, medidas preventivas podem ser tomadas, como a vacinação de animais domésticos e de produção, vacinação de profissionais que trabalham com animais ou com situações em que há risco de contaminação, educação ambiental sobre os riscos envolvendo a raiva e realização do protocolo pós exposição daqueles que foram expostos. Ficou com alguma dúvida? Fale nos comentários! E não deixe de ler o nosso post do instagram sobre a importância dos morcegos, hein!? 

Autora: Anna Luisa Michetti Alves 

Referências:

Vilela, Daniel & Teixeira, Camila & Horta, Carolina & Loura, Gabriela & Silva, Matheus. (2016). Gestão de conflitos com animais silvestre em centros urbanos. 

Da Luz, Clomar, Fiuza, Vanessa e colaboradores. Raiva: Noções básicas e manual de observação domiciliar de animais agressores.

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MANEJO DE SERPENTES EM CATIVEIRO NO CETAS BH: Cuidados Corretos e Atenções Especiais

MANEJO DE SERPENTES EM CATIVEIRO NO CETAS BH: Cuidados Corretos e Atenções Especiais

Foto: Acervo CETAS-BH

As serpentes são animais vertebrados que pertencem ao grupo dos répteis. Sendo assim, seus parentes mais próximos são os lagartos, jacarés, tartarugas, e (sim!) as aves.

Em Centros de Triagem de Animais Silvestres, chegam serpentes em variados estados e por motivos diferentes, sendo pelo fato de que uma entrou na casa de alguém e chamaram bombeiros para retirar, ou foi resgatada ferida após alguém tentar matá-las a pauladas, ou sendo pelo tráfico ilegal onde as pessoas estão transportando esses animais, em condições horríveis, sem licença do IBAMA e são apreendidos pela fiscalização. Com isto, os CETAS precisam estar preparados, com equipamento e locais adequados, para receber esses animais.

E por se tratar de répteis, requerem alguns cuidados e atenções especiais.

Foto: Acervo CETAS- BH

Cuidados corretos:

TEMPERATURA E AQUECIMENTO ARTIFICIAL

Esse grupo de animais são ectotérmicos, ou seja, seus organismos não conseguem controlar a temperatura de seus corpos e esta varia de acordo com a temperatura do ambiente. Diante disso, em cativeiro as serpentes necessitam de uma fonte externa de calor para regularem seus organismos, e esta deve ser oferecida através de equipamentos de aquecimento artificial como pedras, placas e lâmpadas aquecedoras.

ALIMENTAÇÃO

De modo geral as serpentes são predadoras carnívoras, mas suas dietas podem variar de acordo com cada espécie, desde aves, mamíferos, outros répteis (inclusive até outras serpentes!), anfíbios, moluscos, peixes e ovos. Em cativeiro, a melhor opção é a oferta de roedores abatidos e previamente congelados. Não é recomendado oferecer presas vivas, diante da Bioética e devido ao fato de que em muitos casos a própria presa pode machucar, e às vezes até matar, a serpente. Observar o tamanho e peso de animal também é essencial para determinar o tamanho e quantidade de alimento que será oferecido.

Um dos desafios encontrados no CETAS BH perante alimentação são os casos especiais onde serpentes com dietas mais diferenciadas recusam roedores abatidos, como é o exemplo das Boipevas (Xenodon merremii – serpentes que se alimentam de anfíbios) e das Jararaquinhas-dormideiras (Dipsas [Sibynomorphus] mikanii – serpentes que se alimentam de moluscos).

RECINTO E LIMPEZA

Para um recinto ideal deve-se levar em consideração o tamanho do animal, e seus hábitos para introduzir os elementos necessários. Os elementos básicos são: um substrato base, onde muitas vezes é utilizado jornal por não ser tóxico aos animais e facilidade de limpeza; uma tigela acessível de água limpa, para beberem e auxiliar na umidade do recinto, importante para a troca de pele; um esconderijo/toca, para que o animal possa ter a escolha de se esconder e repousar em um local que ele julga mais seguro, fora da vista de “predadores”, o que evita o estresse. No mais, galhos, folhas, feno e rochas podem ser acrescentados de acordo com os hábitos de vida (serpentes arborícolas se sentirão mais a vontade se tiver galhos para escalar, por exemplo) e necessidade física (em época de troca de pele elas buscam superfícies ásperas para se esfregarem, como em rochas, para se livrarem mais facilmente da pele antiga) da serpente.

A limpeza é feita semanalmente, e devem ser observadas quaisquer anormalidades nas fezes e presença de regurgito de alimento, e se o recinto se encontra sempre devidamente ventilado, para evitar o aumento da umidade excessiva e proliferação de fungos, e devidamente fechado, para evitar fugas.

Fonte: https://www.unoeste.br/noticias/2015/11/minicursos-de-agrarias-movimentam-campus-ii-da-unoeste

Atenções Especiais:

DEFESA E SEGURANÇA

Para se defenderem, serpentes utilizam diferentes mecanismos de aviso e ataque, tais como sibilos, balançar da cauda, regurgitar o alimento, jatos de fezes e outras substâncias de mau cheiro, e o famoso bote.

No manejo, é importante saber lidar com esses comportamentos e mecanismos defensivos,  garantindo maior segurança para o profissional e para o animal. Mesmo a serpente não sendo peçonhenta, uma mordida pode ocasionar um ferimento sério. 

EQUIPAMENTOS DE MANEJO, CONTENÇÃO E SEGURANÇA PESSOAL (EPIs)

Para os equipamentos de manejo e contenção existem os ganchos herpetológicos, pinção, laço de lutz, tubos, sacos e caixas de contenção e transporte, e pinças (para a alimentação). Para utilizá-los deve sempre levar em consideração a espécie da serpente e seu tamanho. Alguns equipamentos requerem mais habilidade que outros, como o pinção, laço de lutz e tubo de contenção, onde se manuseado de maneira errada o animal pode sofrer de ferimentos graves e alto nível de estresse, além do risco de acidente para quem está manejando.

Já para os equipamentos de segurança pessoal, mais conhecidos como EPIs (Equipamento de Proteção Individual), existem as luvas cirúrgicas (para evitar patógenos), óculos, perneiras ou galochas, calça e sapatos fechados.

Todo cuidado é pouco com animais silvestres e, além disso, deve-se sempre prezar o bem estar do animal. Seguindo todas as medidas e orientações, o manejo dos animais é feito de maneira mais correta e sem muito estresse, possibilitando que o animal tenha uma boa passagem pelo CETAS BH antes de seguir caminho para seu local de destinação, seja ele um criadouro científico para fins de conservação ou a natureza.

As serpentes são animais rodeados de mitos que causam medo e repúdio, mas são animais pacíficos que apenas tentam se defender com os recursos que tem em situações que se sentem ameaçadas. Acidentes podem acontecer com pessoas desavisadas, sem proteção e preparação para lidar com o animal sem que o machuque. Elas possuem uma enorme importância ecológica para o meio ambiente, controlando populações de roedores, sapos, aranhas e lesmas, que podem ser considerados pragas ocasionalmente, além de elas próprias servirem de alimento para outros predadores.

São animais majestosos e que devem ser alvo de conservação como qualquer outro, pois cada um cumpre um papel na natureza e assim mantém-se o equilíbrio da teia da vida!

Autora: Thalia Kethelen Ferreira

Referências:

MARQUES, O. A. V., MEDEIROS, C. R.. Nossas Incríveis Serpentes: Caracterização, Biologia, Acidentes e Conservação. 2019.

MELGAREJO-GIMÉNEZ, A. R. Criação e manejo de serpentes. SciELO Livros.

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OS PAPAGAIOS DE MINAS GERAIS

OS PAPAGAIOS DE MINAS GERAIS

Você sabe quantas espécies de papagaios ocorrem no estado de Minas Gerais? Seus hábitos? Características e curiosidades? Então vem conferir um pouco sobre as espécies magníficas que vivem nesse estado tão magnífico quanto.

O estado de Minas Gerais ocupa uma área de aproximadamente 600 mil km², sendo um dos maiores estados do nosso país. Sua enorme área e localização proporcionam biomas ricos em biodiversidade, sendo os mais importantes do estado a Mata Atlântica e o Cerrado. Esses biomas abrigam espécies raras e de suma importância para a manutenção ecológica desses biomas, como os papagaios. Aves da família dos psitacídeos, possuem o bico curvo, quatro dedos em cada pata e comportamento social altamente desenvolvido. Em Minas Gerais, temos a ocorrência de seis espécies: o papagaio-galego, o papagaio-do-peito-roxo, o papagaio-moleiro, o papagaio-do-mangue, o papagaio-chauá e o papagaio-verdadeiro. Em todo o estado temos representantes dessas espécies, porém somente o papagaio-verdadeiro é bem distribuído, as demais espécies estão restritas a pequenas áreas de ocorrência, contudo o contato com o ser humano é inevitável. Os papagaios são uma das maiores vítimas do tráfico de animais silvestres. Mas antes de falarmos sobre isso, vamos aos detalhes de cada espécie:

Papagaio-galego – Alipiopsitta xanthops

Foto: Acervo CETAS-BH

Papagaio-galego – Alipiopsitta xanthops (quase ameaçado de extinção)

Uma das menores espécies que temos, mede cerca de 25 cm de comprimento. Em Minas habita o Cerrado, alimentando-se de frutos e sementes desse bioma, sendo um importante dispersor. Alguns estudos indicam que a coloração amarelada encontrada na barriga é na verdade uma característica encontrada somente em machos, portanto um dimorfismo sexual da espécie.

Papagaio-do-peito-roxo – Amazona vinacea 
Foto: Acervo CETAS-BH

Papagaio-do-peito-roxo – Amazona vinacea (ameaçado de extinção: Vulnerável na lista do Brasil / Em perigo na IUCN)

Pode chegar aos 35 cm de comprimento. Habita a Mata Atlântica e zonas de transição, alimenta-se principalmente de frutos e sementes, mas tem em seu cardápio folhas e flores também. Possui um “colete” roxo apenas no peito, o que o diferencia dos demais.

Papagaio-moleiro – Amazona farinosa

Foto: Stannate, disponível em: https://www.flickr.com/photos/24164603@N00/1286442607

Papagaio-moleiro – Amazona farinosa (quase ameaçado de extinção)

É a maior espécie de papagaio de todo o país, com cerca de 40 cm de comprimento. Possui uma área de ocorrência pequena em MG, ocorre na Mata Atlântica e Zonas de transição. A espécie leva esse nome farinosa, pois sua plumagem leva um pó branco, com aspecto de farinha.

Papagaio-do-mangue – Amazona amazonica 

Foto: Acevo CETAS-BH

Papagaio-do-mangue – Amazona amazonica (estado de conservação pouco preocupante)

Pode chegar aos 34 cm de comprimento. Leva esse nome, pois em regiões costeiras habita os manguezais. Possui ampla distribuição por todo o continente Sul Americano, exceto em Minas Gerais, onde habita as regiões quentes do Triângulo Mineiro. A espécie foi, provavelmente uma das primeiras a ser avistada e identificada pelos portugueses ao chegar no Brasil.

Papagaio-chauá – Amazona rhodocorytha 

Foto: Acevo CETAS-BH

Papagaio-chauá – Amazona rhodocorytha (em risco de extinção – Vulnerável )

Mede cerca de 37 cm de comprimento. Tem uma beleza que chama a atenção por sua coloração na cabeça. Possui uma área de distribuição extremamente restrita, ocorrendo em poucas áreas em Minas Gerais, ocupa pequenas faixas de Mata Atlântica no estado. Estima-se que sua população será reduzida pela metade em 10 anos.

Papagaio-verdadeiro – Amazona aestiva 

Foto: Acevo CETAS-BH

Papagaio-verdadeiro – Amazona aestiva (estado de conservação pouco preocupante)

Espécie mais popular entre os papagaios. Pode chegar até os 37 cm de comprimento. Ocorre no Cerrado e Mata Atlântica. Por sua notável inteligência e capacidade de reproduzir a fala humana, é um dos psitacídeos mais visados pelo tráfico de animais silvestres.

Essas espécies possuem alimentação semelhante, alimentam-se de frutos, sementes, folhas e flores dos seus respectivos biomas. Como se alimentam de forma parecida e em alguns casos ocorrem no mesmo ambiente, é comum ver bandos de papagaios, no Brasil com diversas espécies. São animais extremamente sociáveis, porém é comum observá-los aos pares. 

Devido ao alto grau de socialização dessas espécies, a beleza e capacidade imitar a voz humana, são umas das principais vítimas dos traficantes. Você sabia que todos os anos o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Belo Horizonte recebe todas essas espécies? Por isso e outro fatores antrópicos, muitas dessas espécies se encontram em risco de extinção. Não compre animais silvestres ilegais! Colabore para a conservação dessas espécies!

Autor: Gabriel de Oliveira Rodrigues @eu.oli

Informações retiradas do site WikiAves, IUCN e Lista de espécies da Fauna brasileira ameaçada de extinção.

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A técnica de PCR no diagnóstico de doenças em animais silvestres vítimas de tráfico

A TÉCNICA DE PCR NO DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS EM ANIMAIS SILVESTRES VÍTIMAS DE TRÁFICO

Quando se fala de PCR, DNA, biologia molecular, quase sempre pensamos em séries policiais, trabalho de peritos em cenas de crimes, entre outras coisas relacionadas à biologia forense. Porém a biologia molecular é uma poderosa ferramenta que ajuda em diversas áreas, como saúde humana e animal, conservação, melhoramento genético, entre outras. Aqui vamos falar do uso de uma técnica de biologia molecular sendo aplicada para saúde animal.

A Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) é uma técnica muito utilizada e conhecida, que tem por objetivo amplificar um fragmento específico de DNA, também conhecido como produto de PCR. Mas como conseguimos esse produto? Primeiro precisamos do DNA “molde”, que pode ser obtido por meio de amostras de sangue, de mucosas que podem ser coletadas com a ajuda de um suabe (um tipo de cotonete), tecido (músculo, fragmentos de órgãos, etc.). A partir dessas amostras, é feita uma extração do DNA, seu método varia de acordo com o tipo de amostra, suas condições, quantidade de material, entre outros diversos fatores. Os protocolos de extração podem durar de algumas horas a dias a fim de se obter um DNA de qualidade para os próximos procedimentos.

Agora com o DNA extraído, precisamos de outros “ingredientes” para fazer a reação funcionar: os dideoxirribonucletídeos (dNTPs), primers foward e reverse, Taq polimerase e um mix de tampões para a PCR. Esses “ingredientes” são “misturados” em um microtubo para PCR (capacidade de 0,2 mL) e colocados em uma máquina chamada de termociclador, também conhecida como máquina de PCR. Nessa máquina é onde ocorre a reação, primeiro há uma elevação na temperatura, por volta de 95°C, para a “abertura” (desnaturação) da fita dupla de DNA, depois há uma queda na temperatura que permite a “ligação” (anelamento) dos primers na região de interesse; aí a temperatura é novamente elevada, dessa vez para um temperatura por volta de 72°C que permite a atuação da Taq polimerase adicionando os nucleotídeos no fragmento (extensão). Essas “trocas” de temperatura ocorrem diversas vezes que podem ocorrer de 20 a 40 ciclos. Ao fim da reação, conseguimos vários fragmentos do DNA.

Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Polymerase_chain_reaction.svg
E agora, como conseguimos ver se a reação funcionou? O método mais simples e barato é a eletroforese em gel de agarose. Então um gel de agarose é preparado, e colocado em uma “cuba” contendo uma solução eletrolítica e ligada a uma fonte elétrica. Como o DNA possui cargas negativas a amostra migra para o lado das cargas positivas. A velocidade de “migração” varia de acordo com o tamanho do fragmento, sendo os menores mais rápidos. Após a eletroforese, o gel é removido da cuba com cuidado e colocado sobre um transiluminador com luz ultravioleta (UV), caso a reação tenha funcionado, é possível visualizar as bandas.

Fonte: https://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/Electroforese_(Biologia)

Agora vamos ver uma das aplicações dessa técnica. Diversos animais são vítimas de tráfico todos os anos, devido ao egoísmo humano. Devido às más condições durante o transporte, manuseio, alimento e o estresse causado por essas, os animais ficam imunossuprimidos e sujeitos a doenças. A exemplo dos psitacídeos, é muito comum estarem infectados com a bactéria Chlamydophila psittaci, responsável pela clamidiose nesses e pela psitacose em humanos. O grande problema da doença, é a presença de animais infectados assintomáticos, pois podem transmitir o patógeno para outros animais imunossuprimidos que acabam sofrendo com a doença podendo morrer.  Para a extração do DNA, são coletadas amostras de suabe da mucosa da cloaca ou dos olhos (caso o animal esteja com conjuntivite). Para a detecção da presença do patógeno, é necessário um par de primers específico que amplifique apenas na presença de C. psittaci. Para que o diagnóstico seja confiável, é preparado um tubo apenas com os reagentes sem DNA (controle negativo), para conferir se há contaminação e outro contendo um DNA de C. psittaci para conferir se todos os reagentes estão funcionando bem. Com isso, apenas amostras positivas para o alvo vão aparecer no gel confirmando o diagnóstico.

Além dessa bactéria é possível detectar outros patógenos, como Salmonella, desde que os primers que permitam sua identificação estejam disponíveis.

Esse é apenas um dos diversos métodos que nos fornecem dados sobre a saúde de animais que em conjunto auxiliam na tomada de decisão no tratamento dos mesmos.

Autora: Autora: Grécia Mikhaela Nunes de Lima

Referências:

Khan Academy. Reação em cadeia da polimerase (PCR). Disponível em: <https://pt.khanacademy.org/science/biology/biotech-dna-technology/dna-sequencing-pcr-electrophoresis/a/polymerase-chain-reaction-pcr>. Acesso em: 2 de abril de 2020.

Santos, F., Leal, D. C., Raso, T. D. F., Souza, B. M. P. S., Cunha, R. M., Martinez, V. H. R., … & Franke, C. R. (2014). Risk factors associated with Chlamydia psittaci infection in psittacine birds. Journal of medical microbiology, 63(3), 458-463.

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PSITACÍDEOS: AMOR E O MITO DA FIDELIDADE

PSITACÍDEOS: AMOR E O MITO DA FIDELIDADE

Papagaios do mangue (Amazona amazonica)

Foto: Thamiris A. Freitas

Liberdade. Essa é a palavra que define o comportamento de casal dos psitacídeos. Mas antes, preciso lhe perguntar: você sabe o que são psitacídeos?

Caso a resposta seja negativa, aqui está: psitacídeos são aves da família Psittacidae, e incluem os papagaios, periquitos, araras, maritacas, maracanãs, jandaias e afins. 

Esse grupo tem como principal característica a inteligência, refletida nos hábitos sociais desses animais.

Dito isso, percebemos que a maioria dos psitacídeos são aves sociais e tem hábitos gregários. 

Na natureza, eles vivem em grupos pequenos, pares ou bandos de até centenas de indivíduos. Além disso, eles escolhem os seus parceiros e formam casais. Essa escolha é livre, podendo ser uma ave do sexo oposto ou do mesmo sexo. O casal tem demonstrações de carinho, como oferecer comida no bico, coçar penas e defender o parceiro. Normalmente, os psitacídeos tem comportamento monogâmico, mas isso não impede que eles formem outros tipos de relacionamentos e nem que mudem de parceiro durante a vida.

Periquito-rei (Eupsitulla aurea
Foto: Alexia F. Alves

Já em cativeiro, devido ao estresse a qual as aves são submetidas, podem ocorrer falhas de socialização. Como a escolha é livre, na falta de dois psitacídeos da mesma espécie, ele pode escolher como casal um humano, cachorro, gato, ou outra ave de espécie diferente. 

As aves se tornam inseguras e ciumentas, refutando qualquer tipo de contato com terceiros. Por esse motivo, quando um tutor possui um psitacídeo em casa, se a ave o escolher, ela não o vê como “mãe ou pai”, e sim como um “cônjuge”. 

Como essas aves não apresentam dimorfismo sexual, os cativeiros que tem psitacídeos para fins reprodutivos precisam realizar a sexagem dos animais e um manejo a fim de formar casais compatíveis para o desenvolvimento de filhotes. 

Na época reprodutiva, as aves realizam a corte com exibições de plumagem, vôos e vocalizações. Após a escolha definitiva do parceiro, nidificam em ninhos e incubam os ovos por um longo período. 

Essas aves possuem cuidado parental, sendo necessário o trabalho conjunto do casal para o desenvolvimento da prole.

Periquito-da-caatinga (Aratinga cactorum)

Foto: Ariela C. Celeste

É preciso então entender os hábitos comportamentais dos animais e suas diferenças, tanto na natureza, cativeiros ou nos CETAS, para lidar da melhor forma e evitar o estresse, respeitando a individualidade de cada ave e fazendo um bom trabalho de socialização.

Autora: Alexia F. Alves

Referências:

Clique para acessar o cp130946.pdf

https://www.wikiaves.com.br/wiki/psittacidae

https://www.wildvet.com.br/blog

Allgayer, M. C. & Cziulik, M. 2007. Reprodução de psitacídeos em cativeiro. Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.31, n.3, p.344-350

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Jabuti vermelho e jabuti amarelo, são só cores?

JABUTI VERMELHO E JABUTI AMARELO, SÃO SÓ CORES?

Foto: Acervo CETAS-BH

Da ordem dos quelônios, família testudinidae e gênero Chelonoidis, o jabuti piranga, Chelonoidis carbonaria, e o jabuti tinga, Chelonoidis denticulata, são as duas espécies de jabuti encontradas no Brasil.

Sua alimentação é bastante variada, indo de folhas, frutos, sementes, fungos até pequenos invertebrados, vertebrados e carcaças. Por comerem praticamente tudo que encontram no solo, são considerados ótimos dispersores de sementes, podendo inclusive, ter o mesmo grau de importância na dispersão como os mamíferos e as aves.

Além do Brasil, são encontrados em outros países como Bolívia, Colômbia, Guiana e Trinidad e Tobago. Na Venezuela, Paraguai, Argentina, Panamá e Antilhas, também são encontrados, porém, apenas encontrado C. carbonaria, enquanto na  Guiana Francesa, Peru e Suriname apenas C. denticulata.

As diferenças das áreas de ocorrência entre as espécies vão além dos países onde são encontrados  . O C. carbonaria ocorre principalmente em áreas mais abertas e de gramíneas, como o cerrado e caatinga. Já C. denticulata em florestas mais densas, tropicais e úmidas. Quando ocorrem nas mesmas áreas, são em faixas de transição entre floresta tropical e cerrado.

Até então, seguindo as primeiras descrições das espécies, diferenciá-los era uma tarefa simples, o jabuti piranga era identificado pelas escamas vermelhas e o jabuti tinga pelas escamas amarelas.  Porém, por ocuparem áreas geograficamente tão amplas,  os  diferentes indivíduos da mesma espécie podem apresentar variações no padrão de cor, tornando esse critério ineficaz.

Estudos recentes demostraram que, utilizar características da carapaça e do plastrão de cada espécie torna a diferenciação muito mais precisa e confiável, podendo assim, utilizá-las como parâmetros ao invés de simplesmente a cor das escamas.

Aqui estão algumas das diferenças utilizadas identificadas nas fotos:

Foto: Acervo CETAS-BH
Foto: Acervo CETAS-BH

Existem outros fatores que garantir uma maior precisão para realizar a identificação das espécies, mas os citados já dão uma boa ideia na hora de diferenciar.

E ai? Conseguiu perceber essas diferenças? Tente identificar espécies através de fotos da internet e conte pra gente se conseguiu!

Autora: Anna Luisa Michetti Alves

Jerozolimski, A. e Martins, M. R. C. 2005.  Ecologia de populações silvestres dos jabutis Geochelone denticulata e G. carbonaria (cryptodira: testudinidae) no território da aldeia de A’ukre, TI Kayapó, Sul do Pará. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Barros, M. S; Silva A. G. e Ferreira Junior, P. D. 2012. Variações morfológicas e dimorfismo sexual em Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824) e Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766) (Testudinidae). Braz. J. Biol. [online], vol.72, n.1, pp.153-161.

https://cursos.vet.br/blog/dica-cursosvetbr/diferenca-entre-geochelone-carbonaria-e-geochelone-denticulata

https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7400-repteis-

chelonoidis-denticulatus-jabuti-amarelo

https://pt.wikipedia.org/wiki/chelonoidis

http://www.tartarugas.avph.com.br/jabutitinga.htm

 

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