O TRÁFICO DE PRIMATAS NO BRASIL

O TRÁFICO DE PRIMATAS NO BRASIL

Você já parou para pensar na crueldade e condições em que os animais traficados são submetidos e que muitos deles morrem antes mesmo de chegar nas mãos do comprador?

O tráfico de animais silvestres no Brasil, segundo dados do IBAMA, provoca a retirada anual de aproximadamente 38 milhões de exemplares das florestas e matas. O alto índice de retirada dos animais de seu habitat coloca em risco de extinção um número cada vez maior de animais, além de contribuir com a exploração econômica de florestas. Os animais capturados no Brasil, em sua maioria, são comercializados no próprio território brasileiro, sendo que as regiões mais afetadas são o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.Os primatas são visados pelas pessoas como pet por serem muito inteligentes e por sua grande semelhança com os seres humanos. Por serem animais não convencionais para se ter em casa, acabam sendo, também, um objeto de ostentação.

Foto: Acervo CETAS-BH

Consequências do tráfico
 
Ao contrário de animais de estimação, todos os primatas precisam de extensos períodos de aprendizagem com suas mães. Isso significa que afastá-los de suas mães ainda com meses de idade faz com que não saibam como se comportar e acabam se tornando humanizados. Como a maioria desses macacos acaba abandonada, torna-se muito difícil reabilitá-los para voltarem para a natureza. 
 
Muitas vezes os caçadores ilegais para pegar os filhotes acabam matando suas mães e mesmo macacos criados em cativeiro quando são separados da mãe acabam ficando tristes, parando de comer e desencadeando problemas nutricionais, emocionais e físicos. 
 
Para levar os macacos às cidades para a venda, eles são escondidos em maletas, caixas de plástico e lugares muito apertados, o que leva muitos animais a morrerem asfixiados. Estima-se que, para cada macaco que sobrevive e é vendido, nove macacos morrem no transporte. Quando são comprados e chegam à idade adulta, eles se tornam mais agressivos e então acabam sendo abandonados. Em alguns casos, são presos, escondidos ou sacrificados.

Foto: M. Fogaça

Doenças 

Os primatas podem transmitir vários patógenos causadores de zoonoses e quando são criados em domicílio as chances de contaminação são ainda maiores devido a proximidade com o animal. Protozoários, ou seja, microorganismos, como por exemplo o  Toxoplasma gondii, Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, helmintos, filarídeos, estrongilídeos e ancilostomídeos, que eliminam formas contaminantes através das fezes do hospedeiro são alguns dos agentes zoonóticos que primatas não humanos podem transmitir.

Outros grupos de agentes etiológicos, como os vírus, também são responsáveis por enfermidades zoonóticas, algumas graves e perigosas, como é o caso da raiva e das hepatites virais. As hepatites virais dos tipos A e E podem ser transmitidas ao homem pelos primatas não humanos principalmente por via fecal-oral; portanto, animais portadores do vírus podem, em domicílio, contaminar o ambiente, os alimentos e, consequentemente, as pessoas.

Existem doenças que não são perigosas para macacos, mas para seres humanos podem ser mortais. Um exemplo é o vírus herpes B, presente nas populações de macacos, que nos causa uma doença neurológica fatal. Quando esses animais são comprados de forma ilegal não tem atendimento veterinário e não são vacinados.

Os animais silvestres não nasceram para viver em gaiolas nem em casas pequenas, mas sim para serem livres. A nossa biodiversidade está sendo ameaçada pela ganância humana, não  podemos aceitar e nem fomentar esse tipo de crueldade.

Autora: Luísa Lithg

 

Referências

https://ibiti.com/pt/2017/01/02/conheca-o-projeto-asas-e-a-preservacao-do-muriqui-do-norte/

Programa de Preservação do Muriqui-do-Norte.

Souza Junior JC. Perfil sanitário de bugios ruivos, Alouatta guariba clamitans (Cabrera, 1940) (Primates: Atelidae): um estudo com animais recepcionados e mantidos em perímetro urbano no município de Indaial, Santa Catarina – Brasil [dissertação]. Florianopólis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública; 2007

Diniz LSM. Primatas em cativeiro: manejo e problemas veterinários. São Paulo: ícone; 1997. 196 p.

ENTRE EM CONTATO.
ACOMPANHE NOSSO TRABALHO

waita.ong@gmail.com

O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES EM TERRAS BRASILEIRAS

O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES EM TERRAS BRASILEIRAS

O tráfico de animais é a terceira maior atividade ilegal do mundo, com movimento estimado entre 10 e 20 bilhões de dólares anuais. Fica atrás apenas do tráfico de armas e drogas. No Brasil, 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza por ano e, somente o CETAS de Belo Horizonte, recebe em média 10 mil animais por ano, a maioria deles, vítimas de tráfico

Esse número fica ainda mais assustador sabendo-se que para cada 1 animal que chega vivo ao destino final, outros 9 morreram no caminho. Ou seja, dos 38 milhões de animais retirados da natureza anualmente no país, cerca de 4 milhões chegam de fato ao comércio ilegal, o restante (34 milhões) morre antes disso.

Foto: Cetas- BH

Após chegarem nas regiões Sul e Sudeste, os animais que sobrevivem serão comercializados ou levados para fora do país.

A maiorias dos animais traficados são aves (aproximadamente 82%) e dentre estes, os Psitaciformes (devido a beleza, docilidade e capacidade de imitar a voz humana) e os Passeriformes (devido a beleza e aos belos cantos) são a grande maioria, somando cerca de 62% do total.

Foto: Cetas- BH

O destino dos animais traficados são diversos, incluindo colecionadores particulares, animais de companhia (pet) ou até mesmo para pesquisa científicas ilegais. Listamos abaixo algumas das principais espécies comercializadas para estas finalidades:

Algumas das principais espécies vítimas do tráfico de silvestres com destinação para colecionadores particulares ou para se tornarem pet:

  • Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)
  • Periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris Chiriri)
  • Caturrita (Myiopsitta monachus)
  • Tuim (Forpus xanthopterygius)
  • Arara canindé (Ara ararauna)
  • Arara-vermelha (Ara chloropterus)
  • Corrupião ou Sofrê  (Icterus jamacaii)
  • Curió (Sporophila angolensis)
  • Tie-sangue (Ramphocelus bresilius)
  • Saíra-sete-cores (Tangara seledon)
  • Tucano (Ramphastos sp. / Pteroglossus sp.)
  • Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)
  • Macaco-prego (Sapajus sp.)
  • Jaguatirica (Leopardus pardalis)
  • Arara Azul de Lear (Anodorhynchus leari)
  • Azulão (Cyanoloxia brissonii)
  • Sagui (Callithrix sp.)
  • Jibóia (Boa constrictor)
  • Canário-da-terra (Sicalis flaveola)
  • Cardeal-do-nordeste ou Galo-de-campina (Paroaria dominicana)
  • Coleirinho (Sporophila caerulescens)
  • Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi)
  • Trinca-ferro (Saltator similis)

Algumas dos principais espécies vítimas do tráfico de silvestres com destinação para fins científicos ilegais:

  • Jararaca (Bothrops jararaca)
  • Jararaca Ilhoa (Bothrops insulari)
  • Cascavel (Crotalus durissus)
  • Sapos Amazônicos
  • Aranha marrom (Loxosceles sp.)
  • Besouros
  • Vespas
  • Urutu (Bothrops alternatus)
  • Surucucu (Lachesis muta)
  • Corais-verdadeiras
  • Escorpião amarelo (Tityus serrulatus)

Foto: Cetas- BH

O efeito do tráfico de animais silvestres é devastador para a natureza, levando fatalmente a extinção de várias espécies e ao desequilíbrio ecológico. O tamanho dos danos causados por esta atividade ILEGAL é  imensurável!

Lembre-se: Bicho feliz é bicho solto!

 

Referências.

COSTA, Fábio José Viana et al. Espécies de Aves Traficadas no Brasil. Front J Soc Technol Environ Sci, v. 7, p. 324-346, 2018.

RENCTAS (Rede Nacional contra o Tráfico de Animais Silvestres). Disponivel em: www.renctas.org.br/ambientebrasil-trafico-de animais-silvestres/. Acesso em: 31/03/2020

WIKIAVES (2020) WikiAves, a Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponivel em: www.wikiaves.com.br/. Acesso em: 31/03/2020

ENTRE EM CONTATO.
ACOMPANHE NOSSO TRABALHO

waita.ong@gmail.com

Translate