Jabuti vermelho e jabuti amarelo, são só cores?

JABUTI VERMELHO E JABUTI AMARELO, SÃO SÓ CORES?

Foto: Acervo CETAS-BH

Da ordem dos quelônios, família testudinidae e gênero Chelonoidis, o jabuti piranga, Chelonoidis carbonaria, e o jabuti tinga, Chelonoidis denticulata, são as duas espécies de jabuti encontradas no Brasil.

Sua alimentação é bastante variada, indo de folhas, frutos, sementes, fungos até pequenos invertebrados, vertebrados e carcaças. Por comerem praticamente tudo que encontram no solo, são considerados ótimos dispersores de sementes, podendo inclusive, ter o mesmo grau de importância na dispersão como os mamíferos e as aves.

Além do Brasil, são encontrados em outros países como Bolívia, Colômbia, Guiana e Trinidad e Tobago. Na Venezuela, Paraguai, Argentina, Panamá e Antilhas, também são encontrados, porém, apenas encontrado C. carbonaria, enquanto na  Guiana Francesa, Peru e Suriname apenas C. denticulata.

As diferenças das áreas de ocorrência entre as espécies vão além dos países onde são encontrados  . O C. carbonaria ocorre principalmente em áreas mais abertas e de gramíneas, como o cerrado e caatinga. Já C. denticulata em florestas mais densas, tropicais e úmidas. Quando ocorrem nas mesmas áreas, são em faixas de transição entre floresta tropical e cerrado.

Até então, seguindo as primeiras descrições das espécies, diferenciá-los era uma tarefa simples, o jabuti piranga era identificado pelas escamas vermelhas e o jabuti tinga pelas escamas amarelas.  Porém, por ocuparem áreas geograficamente tão amplas,  os  diferentes indivíduos da mesma espécie podem apresentar variações no padrão de cor, tornando esse critério ineficaz.

Estudos recentes demostraram que, utilizar características da carapaça e do plastrão de cada espécie torna a diferenciação muito mais precisa e confiável, podendo assim, utilizá-las como parâmetros ao invés de simplesmente a cor das escamas.

Aqui estão algumas das diferenças utilizadas identificadas nas fotos:

Foto: Acervo CETAS-BH

Foto: Acervo CETAS-BH

Existem outros fatores que garantir uma maior precisão para realizar a identificação das espécies, mas os citados já dão uma boa ideia na hora de diferenciar.

E ai? Conseguiu perceber essas diferenças? Tente identificar espécies através de fotos da internet e conte pra gente se conseguiu!

Autora: Anna Luisa Michetti Alves

Jerozolimski, A. e Martins, M. R. C. 2005.  Ecologia de populações silvestres dos jabutis Geochelone denticulata e G. carbonaria (cryptodira: testudinidae) no território da aldeia de A’ukre, TI Kayapó, Sul do Pará. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Barros, M. S; Silva A. G. e Ferreira Junior, P. D. 2012. Variações morfológicas e dimorfismo sexual em Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824) e Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766) (Testudinidae). Braz. J. Biol. [online], vol.72, n.1, pp.153-161.

https://cursos.vet.br/blog/dica-cursosvetbr/diferenca-entre-geochelone-carbonaria-e-geochelone-denticulata

https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7400-repteis-

chelonoidis-denticulatus-jabuti-amarelo

https://pt.wikipedia.org/wiki/chelonoidis

http://www.tartarugas.avph.com.br/jabutitinga.htm

 

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O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES EM TERRAS BRASILEIRAS

O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES EM TERRAS BRASILEIRAS

O tráfico de animais é a terceira maior atividade ilegal do mundo, com movimento estimado entre 10 e 20 bilhões de dólares anuais. Fica atrás apenas do tráfico de armas e drogas. No Brasil, 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza por ano e, somente o CETAS de Belo Horizonte, recebe em média 10 mil animais por ano, a maioria deles, vítimas de tráfico

Esse número fica ainda mais assustador sabendo-se que para cada 1 animal que chega vivo ao destino final, outros 9 morreram no caminho. Ou seja, dos 38 milhões de animais retirados da natureza anualmente no país, cerca de 4 milhões chegam de fato ao comércio ilegal, o restante (34 milhões) morre antes disso.

Foto: Cetas- BH

Após chegarem nas regiões Sul e Sudeste, os animais que sobrevivem serão comercializados ou levados para fora do país.

A maiorias dos animais traficados são aves (aproximadamente 82%) e dentre estes, os Psitaciformes (devido a beleza, docilidade e capacidade de imitar a voz humana) e os Passeriformes (devido a beleza e aos belos cantos) são a grande maioria, somando cerca de 62% do total.

Foto: Cetas- BH

O destino dos animais traficados são diversos, incluindo colecionadores particulares, animais de companhia (pet) ou até mesmo para pesquisa científicas ilegais. Listamos abaixo algumas das principais espécies comercializadas para estas finalidades:

Algumas das principais espécies vítimas do tráfico de silvestres com destinação para colecionadores particulares ou para se tornarem pet:

  • Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)
  • Periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris Chiriri)
  • Caturrita (Myiopsitta monachus)
  • Tuim (Forpus xanthopterygius)
  • Arara canindé (Ara ararauna)
  • Arara-vermelha (Ara chloropterus)
  • Corrupião ou Sofrê  (Icterus jamacaii)
  • Curió (Sporophila angolensis)
  • Tie-sangue (Ramphocelus bresilius)
  • Saíra-sete-cores (Tangara seledon)
  • Tucano (Ramphastos sp. / Pteroglossus sp.)
  • Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)
  • Macaco-prego (Sapajus sp.)
  • Jaguatirica (Leopardus pardalis)
  • Arara Azul de Lear (Anodorhynchus leari)
  • Azulão (Cyanoloxia brissonii)
  • Sagui (Callithrix sp.)
  • Jibóia (Boa constrictor)
  • Canário-da-terra (Sicalis flaveola)
  • Cardeal-do-nordeste ou Galo-de-campina (Paroaria dominicana)
  • Coleirinho (Sporophila caerulescens)
  • Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi)
  • Trinca-ferro (Saltator similis)

Algumas dos principais espécies vítimas do tráfico de silvestres com destinação para fins científicos ilegais:

  • Jararaca (Bothrops jararaca)
  • Jararaca Ilhoa (Bothrops insulari)
  • Cascavel (Crotalus durissus)
  • Sapos Amazônicos
  • Aranha marrom (Loxosceles sp.)
  • Besouros
  • Vespas
  • Urutu (Bothrops alternatus)
  • Surucucu (Lachesis muta)
  • Corais-verdadeiras
  • Escorpião amarelo (Tityus serrulatus)

Foto: Cetas- BH

O efeito do tráfico de animais silvestres é devastador para a natureza, levando fatalmente a extinção de várias espécies e ao desequilíbrio ecológico. O tamanho dos danos causados por esta atividade ILEGAL é  imensurável!

Lembre-se: Bicho feliz é bicho solto!

 

Referências.

COSTA, Fábio José Viana et al. Espécies de Aves Traficadas no Brasil. Front J Soc Technol Environ Sci, v. 7, p. 324-346, 2018.

RENCTAS (Rede Nacional contra o Tráfico de Animais Silvestres). Disponivel em: www.renctas.org.br/ambientebrasil-trafico-de animais-silvestres/. Acesso em: 31/03/2020

WIKIAVES (2020) WikiAves, a Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponivel em: www.wikiaves.com.br/. Acesso em: 31/03/2020

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