Entenda o impacto do tráfico de animais silvestres na natureza e na saúde pública

ENTENDA O IMPACTO DO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVETSRES NA NATUREZA E NA SAÚDE PÚBLICA

A comercialização ilegal de animais silvestres é a terceira maior atividade ilícita no Brasil, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e armas, isso se dá devido ao alto valor rentável nessa prática criminosa, chegando a movimentar cerca de 3 bilhões de dólares por ano segundo dados do IBAMA.

A problemática do tráfico implica em várias vertentes, no entanto gostaria  de ressaltar o impacto que essa prática criminosa exerce na natureza e na saúde pública. A consequência na natureza gerada pelo tráfico é enorme, chegando a proporcionar a retirada anual de 38 milhões de animais de várias espécies nacionais, segundo dados do IBAMA. A retirada desses animais do seu habitat natural é a segunda maior causa de extinção, promovendo instabilidade ecológica, pois, ao retirar uma espécie do seu hábitat pode-se gerar um desequilíbrio ambiental, uma vez que cada espécie possui uma função ecológica. Dessa forma, retirar uma espécie do meio em que vive, abre uma lacuna porque não haverá outra para desempenhar aquele papel.

E segundo esse princípio, a retirada de qualquer espécie do seu local de vida livre, vai prejudicar a natureza de diversas formas. O comércio ilegal de animais acaba contribuindo para a proliferação de zoonoses, devido a introdução de espécies selvagens a uma convivência direta com o homem, podendo ocasionar ou agravar a transmissão de doenças. Isso porque diversos animais silvestres podem ser portadores ou reservatórios de zoonoses, seja em vida livre ou em cativeiro. Algumas doenças infecciosas humanas, por exemplo, são transmitidas por mamíferos e aves, tais como ebola, febre amarela, raiva, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), e mais recentemente, o coronavírus! Além de patógenos com capacidade zoonótica, podendo ocasionar uma série de doenças em animais silvestres e domésticos.

Sendo assim, a melhor forma de diminuir e possivelmente acabar com o tráfico de animais selvagens, seria não comprar animais silvestres ilegais, enfraquecendo esse comércio cruel, que prejudica tanto a natureza quanto a nossa saúde pública. 

Autora: Sheila Cristina

Bibliografia:

HERNANDEZ, Erika Fernanda Tangerino; DE CARVALHO, Márcia Siqueira. O tráfico de animais silvestres no Estado do Paraná. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, v. 28, n. 2, p. 257-266, 2006.

PETTER, Creusa Alves Bomfim. Tráfico de animais silvestres. 2012.

PIRES, Gilcineide Araujo et al. Tráfico de animais silvestres e seus produtos no extremo oeste brasileiro. Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da UNIPAR, v. 18, n. 4, 2015.

OSAVA, Mário. Tráfico de Animais um negócio milionário. Disponible en, 2012.

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ALÉM DA BELEZA: SAIBA O PAPEL DOS BEIJA-FLORES NOS AMBIENTES NATURAIS E URBANOS

ALÉM DA BELEZA: SAIBA O PAPEL DOS BEIJA-FLORES NOS AMBIENTES NATURAIS E URBANOS

Quem nunca viu um beija-flor pairado sobre uma flor ou voando rapidamente nas nossas ruas? No movimentado dia-a-dia é difícil parar para observar estas lindas e velozes aves que nos cercam. Esses pequenos se aproveitam bastante do néctar (líquido adocicado produzido por muitas plantas) das escassas flores disponíveis nas grandes cidades brasileiras. Esta interação entre planta e animal favorece ambos: o beija-flor ganha alimento e a planta ganha o pólen de outro indivíduo, garantindo sua reprodução. Muitas plantas podem ser cultivadas em casa ou nos passeios a fim de atrair essas belas aves, vejam mais abaixo:

Os nossos beija-flores

No Brasil há 1901 espécies de aves. Destas, 83 são beija-flores segundo a última edição do livro “Lista de aves do Brasil” publicado pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. O livro pode ser baixado gratuitamente no site dele (http://www.cbro.org.br/lista.htm). Essas aves são conhecidas pelo rápido metabolismo e o bater de asas dezenas de vezes por segundo. Isso demanda uma grande quantidade de energia, fazendo com que eles tenham que procurar por alimento várias vezes ao dia.

Uma curiosidade deles é que suas majestosas cores se devem não à pigmentação, mas sim à difração da luz em suas penas. Os machos geralmente são mais coloridos que as fêmeas, pois disputam entre si por elas. Entretanto, as fêmeas muitas vezes são menos chamativas porque isso seria uma desvantagem evolutiva atrapalhando sua camuflagem ao chocar os ovos e cuidar dos filhotes. As fêmeas constroem compactos ninhos utilizando folhas, liquens, penas, teias de aranha e outros materiais.

Entre os beija-flores mais comuns do Brasil estão o Beija-flor-tesoura, de nome científico Eupetomena macroura e o Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) que são muito frequentes nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Eles são vistos até mesmo nas cidades mais urbanizadas, pois não exigem condições ambientais tão preservadas. O Beija-flor-tesoura é maior, medindo até 19 centímetros e é bem agressivo, normalmente domina aqueles bebedouros artificiais e outras fontes de alimento, como árvores em floração. Já o Besourinho-de-bico-vermelho é menor que esse, medindo cerca de 10 cm e não é tão agressivo quanto o tesoura.

Beija-flor-tesoura. Foto: Eden Fontes, 2014
 
Besourinho-de-bico-vermelho. Foto: Gra-moll, 2019.

Mas nem tudo são flores. Infelizmente existem muitas espécies de beija-flores ameaçadas de extinção. Uma delas é o Beija-Flor-de-Gravata-Vermelha (Augastes lumachella). Esta espécie pouco conhecida ocorre apenas no Brasil, ou seja, é endêmica daqui, habitando somente o estado da Bahia em regiões altas da Caatinga e está classificada na categoria Em Perigo (EN) segundo o terceiro volume do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Os motivos de ameaça são incêndios, turismo desordenado e destruição da vegetação para produção de carvão e pasto.

Beija-Flor-de-Gravata-Vermelha. Foto: Norton Santos, 2020.

 

O serviço deles no ecossistema

Quase sempre que vemos algum beija-flor, percebemos que ele está parado à frente de uma flor. Com seu nome sugestivo e seu metabolismo rápido altamente dependente de açúcar, eles se aproximam desta estrutura reprodutiva das plantas e suga o néctar com seu longo bico. Com isso, a planta passa seu pólen (produzido nas suas estruturas masculinas chamadas de anteras) para o corpo do beija-flor que acabará sendo recebido pela estrutura feminina de outra planta, o pistilo, fecundando-a.

Essa relação selecionou evolutivamente aqueles beija-flores que tinham o hábito de forragear (procurar por alimento) as flores e também os que tinham bicos e línguas mais longos e finos para adentrar as estruturas florais. Ao mesmo tempo em que selecionou as plantas que produziam mais néctar, mais pólen e flores mais chamativas em um fenômeno chamado de co-evolução. Isso fez com que muitas plantas ficassem dependentes da polinização por beija-flores e eles dependentes do néctar produzidos por elas.

Saiba como atraí-los 
Mesmo sendo um pouco difíceis de ver, existem maneiras de trazer estes lindos animais para mais perto de nós. Uma das opções é aquele bebedouro de plástico com flores artificiais. Porém, existem outras opções mais naturais para quem quer uma experiência mais ecológica.

No livro “Plantas que atraem aves e outros bichos” disponível pela UNESP de forma gratuita aqui (https://repositorio.unesp.br/handle/11449/126246) há vários exemplos:

Ipê-roxo-bola (floresce em Maio, Junho e Julho);
Ipê-amarelo (floresce em Agosto e Setembro);
Paineira (floresce em Março e Abril);
Imbiriçu-do-cerrado (floresce em Junho, Julho e Agosto);
Árvores menores (até 6 metros):
Rabo-de-cotia (floresce em Maio, Junho e Julho);
Mulungu-da-praia (floresce em Junho, Julho e Agosto);
Caliandra (floresce em Junho, Julho e Agosto);
Helicônia-papagaio (floresce em Maio, Junho e Julho);
Fruta-do-sabiá (floresce em Setembro, Outubro e Novembro);

Muitos beija-flores especialistas dependem de grupos de plantas e condições ambientais mais restritas para sobreviver, como em vegetação preservadas, ao contrário de outros que são mais generalistas, vivendo até mesmo em grandes cidades. Isso faz com que estes primeiros sejam vulneráveis à extinção. Por isso, a preservação dos nossos biomas é importante para garantir a sobrevivência de inúmeras espécies e relações ecológicas.

Autor: Kleber Felipe Alves da Silva

Referências:
COMITÊ BRASILEIRO DE REGISTROS ORNITOLÓGICOS. Listas das aves do Brasil. 11ª ed. São Paulo: CRBO, 2014. 42p.
MACHADO, C.G. et al. Augastes lumachella (Lesson, 1838). In: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. (Org.). Livro Vermelho da Fauna Brasileira meaçada de Extinção: Volume III – Aves. Brasília: ICMBio. p. 215-217, 2018.

NISHIDA, S. M.; NAIDE, S. S.; PAGNIN, D. Plantas que atraem aves e outros bichos. 1. ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014. (Coleção PROEX Digital-UNESP). ISBN 9788579835391. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/126246>.

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ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS E COMO INTERFEREM NO NICHO DE ESPÉCIES NATIVAS

ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS E COMO INTERFEREM NO NICHO DE ESPÉCIES NATIVAS

A problemática das Espécies Exóticas – Impactos na Biodiversidade Nativa

Neste post falaremos sobre espécies exóticas e como podem ser um problema para a biodiversidade nativa, primeiro explicaremos os conceitos e traremos alguns exemplos. Também entraremos na questão dos animais domésticos (cães e gatos) que por estarem tão consolidados nas nossas vidas não os vemos como espécies exóticas, mas no âmbito ecológico, cães e gatos, principalmente os ferais, podem ser considerados animais exóticos invasores com um potencial muito grande de causar impactos negativos na biodiversidade.

Para começar…

O que são espécies nativas? 

Uma espécie é considerada nativa quando é natural de um determinado ecossistema ou região, sem ter sofrido interferência do homem para estar lá.

E as exóticas? 

Uma espécie é considerada exótica quando é introduzida em uma área que não seja de sua distribuição natural, nem no passado nem no presente. Essa introdução pode ser, por exemplo, ovos, sementes ou propágulos dessas espécies, de modo que consigam se reproduzir e sobreviver. Quando uma espécie exótica se espalha por novas áreas causando danos a ecossistemas, habitats ou outras espécies, seja através da predação, parasitismo ou competição por recursos, ela é considerada uma espécie invasora.

A noção de introdução de espécies está explicitamente associada à ação humana, resultando tanto de ações intencionais (autorizadas ou não) quanto não intencionais – como ocorre quando pessoas, objetos ou meios de transporte humanos servem como veículos para a dispersão de seres vivos de diferentes espécies.

Já o nicho ecológico de um organismo…

é o espaço físico, as condições, os recursos e as funções do ecossistema em que este organismo vive. O conceito moderno redefinido de nicho ecológico foi proposto por George Evelyn Hutchinson em 1957, no qual foi atribuída a ideia de um hipervolume, representado por uma construção de n-dimensões e variáveis, físicas e biológicas, que permitem a existência de um organismo.

Exemplo de um hipervolume tri-dimensional que pode determinar um nicho. Neste caso as variáveis são: densidade de alimento, umidade e pH. O organismo irá funcionar bem quando as variáveis estiverem dentro da área determinada de condições ótimas.

O nicho hutchinsoniano apresenta restrições e limitações. Hutchinson supõe que o conjunto das partes que compõem o nicho de uma espécie implica na sobrevivência dela, já em nicho diferente, essa espécie não sobrevive, levando em conta que quanto mais perto da fronteira mais essa limitação é verdadeira. Seu conceito também implica que esse modelo de nicho é caracterizado em apenas um instante.

Há dois tipos de nicho, o nicho fundamental que é o conjunto de condições bióticas e abióticas ótimas na ausência de qualquer interferência como competição e predação. É o nicho potencial de um organismo. Já o nicho realizado é o nicho real, de menores dimensões devido a predação, competição e interações bióticas e abióticas.

Desta forma, podemos dizer que espécies nativas realizam o nicho realizado, com suas limitações e interações. Já as espécies exóticas conseguem realizar o nicho fundamental uma vez que na maioria das vezes não possuem nenhuma interferência e se sobressaem sobre as nativas.

Como uma espécie invasora consegue se estabelecer fora do seu habitat?

Uma espécie invasora geralmente possui características que a coloca na posição de potencial invasora. Essas características junto com certas condições ambientais tornam o processo de invasão mais fácil para tal espécie, sendo que quanto mais dessas características ela tiver, maior o seu potencial de invasão.

Aspectos como: flexibilidade ecológica, uso pioneiro do habitat, taxas de crescimento e dispersão elevadas, tempos de geração curtos, corpo pequeno, além de uma plasticidade para realizar alternância entre estratégias r (menor tamanho corporal no indivíduo e na prole, prole numerosa, geralmente apenas um evento reprodutivo na vida, maturidade precoce, investimento alto na reprodução), e k (maior tamanho corporal no indivíduo e na prole, prole menos numerosa, reprodução tardia, mais de um evento reprodutivo, alto investimento na sobrevivência) compõem esse grupo de características que potencializam a espécie como uma possível invasora de sucesso. Essas características são “armas” importantes para que as espécies invasoras consigam vencer as barreiras presentes (como o clima, ataque de predadores e patógenos, dificuldades de dispersão) e assim se estabelecer, passando a reproduzir localmente, visando a dispersão para novas áreas além da área onde foi introduzida.

Espécies exóticas invasoras no Brasil: 

No Brasil, foi realizado um levantamento de espécies exóticas invasoras para realizar um Informe Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras e os resultados, no ano de 2006, foram que o número de espécies invasoras era 543, sendo 176 terrestres, 66 marinhas, 49 de águas continentais, 155 que afetam sistemas produtivos, 97 que afetam a saúde humana. Atualmente, para acessar a base de dados nacional contendo as espécies invasoras, pode-se acessar a plataforma do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental que conta com informações sobre cada espécie bem como os impactos.

Neste post abordaremos quatro exemplos de espécies exóticas invasoras, a rã touro, a algaroba, o cachorro e o gato domésticos.

O caso da Rã Touro Norte-Americana (Lithobates catesbeianus)

Foto disponível em: https://myanimals.com/pt/ra-touro-americana-uma-especie-invasora/

A rã touro é originária do centro e do leste da América do Norte. Os machos podem chegar a 180mm e as fêmeas a 200mm, sendo considerada a maior espécie de anfíbio do continente.

Foi introduzida no Brasil em 1935 para criação comercial e se adaptou muito bem ao clima de diferentes regiões brasileiras, permitindo sua criação em escala nacional. Foi escolhida para a criação comercial por possuir alta fecundidade, rápido crescimento e habilidade para aclimatação a vários regimes climáticos, tendo um desempenho melhor em cativeiro que outras espécies de rãs.

Com o passar do tempo, rãs foram fugindo dos ranários e estes foram sendo abandonados quando a atividade já não era mais tão lucrativa assim, fazendo com que houvesse a liberação desses animais no ambiente e se tornasse um problema para a biodiversidade brasileira.

A interferência da rã touro sobre as comunidades nativas pode ser de forma direta pela predação e pela competição ou de forma indireta pela transmissão de patógenos e mudanças de comportamento induzidas em espécies nativas.

Predação:

Sabe-se que a rã touro tem hábitos alimentares sedentários e generalista, predando quase todos os animais menores que ela, inclusive os da mesma espécie. Alguns autores relatam presas incomuns para um anuro, mas que foram observadas servindo de alimento para a rã touro como toupeiras, roedores, morcegos, aves, serpentes, lagartos, quelônios e crocodilianos jovens, salamandras e peixes.

Competição:

Como se a predação já não fosse o suficiente, por ter esses hábitos generalistas, há sobreposição de dietas, habitats e locais de desova, causando uma competição desleal com as espécies nativas. Dessa forma, a rã touro consegue se multiplicar sem interferências pois não é predada e se tornar uma espécie dominante nos locais que ocupa.

Transmissão de patógenos:

A rã touro é um grande vetor do fungo Batrachochytrium dendrobatidis que causa a quitridiomicose anfibiana, uma infecção que causa mortalidade em massa e o declínio de populações de anfíbios. Segundo a Cúpula de Conservação de Anfíbios (2005), a quitridiomicose anfibiana é a “pior doença infecciosa já vista entre vertebrados, em termos de números de espécies atingidas e que estão propensas a serem extintas”. O fungo, inclusive, também é exótico invasor e é provindo da África, tendo sido levado pela rã-de-unhas-africanas (Xenopus laevis).

Indução de comportamento de espécies nativas:

Os sinais acústicos de anfíbios anuros são um fator determinante para a seleção sexual, caso haja mudanças ou interferências, o sucesso reprodutivo pode ser afetado. Pesquisadores (Both e Grant, 2012) realizaram um estudo em que simularam uma invasão do nicho acústico de machos da perereca verde Hypsiboas albomarginatus expondo-os a vocalizações gravadas de machos de rã-touro. Como resposta, os machos de H. albomarginatus rapidamente mudaram seus cantos de anúncio para frequências mais altas e mesmo após o período  do estímulo, os machos continuam com as frequências mais altas e cantos mais curtos. Devido a tal pesquisa, os autores perceberam que a rã touro pode ter efeito negativo na reprodução da espécie nativa devido a essa interferência no canto que afeta a seleção sexual.

Com todos esses fatores, podemos concluir que a rã touro pode levar vantagem sobre espécies nativas e que devido a suas características tem o potencial de afetar negativamente as espécies a ponto de levá-las a extinção, seja pela predação, competição, patógenos ou interferência no comportamento e que por conseguir se estabelecer tão bem, não ter predadores naturais e reproduzir rápido, sua população aumenta cada vez mais. Caso não haja uma interferência do homem para tentar controlar essa espécie invasora, as chances de perder cada vez mais nossa biodiversidade só aumentam.

O caso da Algaroba (Prosopis juliflora)

Foto disponível em: https://geografiaequador.blogspot.com/2018/11/a-algaroba-e-uma-planta-nativa-do-peru.html

A algaroba é uma espécie arbórea originária dos Estados Unidos e México. Foi introduzida no Brasil em 1942 com a finalidade de plantio para suplementar a alimentação do gado, forragem e produção de madeira e lenha.

Se desenvolve bem na região da caatinga, em regiões degradadas, agrícolas e de pasto, bem como próxima de cursos de água.

A problemática da algaroba começa pela quantidade de sementes que produz que é elevada e sua dispersão, realizada também por animais domésticos e silvestres, que é bastante eficiente e pode atingir longas distâncias. Portanto, formam diversos aglomerados e esses utilizam muita água, levando ao esgotamento desse recurso em uma região em que já é escasso. Ao competirem com espécies nativas, levam vantagem ao se desenvolverem causando a mortalidade delas, além de evitar a regeneração de tais espécies.

Por ser uma espécie que gera um valor, a extinção dessa espécie invasora não se torna uma opção, mas uma possibilidade seria o controle populacional realizando um manejo em áreas controladas projetado para balancear as perdas e os ganhos.

O caso do cachorro doméstico (Canis familiaris) e do gato doméstico (Felis catus)

Foto disponivel em https://www.discoverwildlife.com/animal-facts/mammals/how-can-i-stop-my-cat-hunting-wildlife/

Os cães e gatos são extremamente numerosos ao redor do globo terrestre. Estima-se que existam 900 milhões de cachorros no mundo, sendo 52 milhões no Brasil, e 600 milhões de gatos, com  22 milhões só no nosso país. Bonitinhos e ofensivos, seja por predação ou transmissão de doenças, já extinguiram 74 espécies de animais no mundo.

Os impactos gerados por nossos bichanos não são restritos às áreas naturais desprotegidas, a presença de cães e gatos se dá também em Unidades de Conservação (UCs). A criação desses animais com acesso livre à vida silvestre em áreas protegidas muitas vezes são em condições inadequadas de manejo, podendo afetar espécies nativas da região. 

A invasão de espécies domésticas nessas zonas protegidas pode impactar de diversos modos, sendo um deles doenças infecciosas, que podem ser transmitidas para as populações selvagens, como a cinomose, parvovirose, leishmaniose, raiva, vírus da leucemia felina (FeLV) e muitas outras. Para isso é necessário um conhecimento da prevalência, da distribuição e dos fatores de risco das infecções virais de cães, gatos e outros animais domésticos próximos ou dentro das UCs, além de seu acompanhamento. Além disso, outra estratégia de controle é a necessidade de vacinação para redução da circulação dos vírus, que são os microrganismos de maior impacto para a saúde dos animais silvestres. 

Em um estudo de 2013 em Unidades de Conservação brasileiras, foi mostrado o manejo de animais domésticos por moradores próximos. Nele, os moradores falaram não possuir controle dos animais somente dentro das suas propriedades, pois eles ficam soltos nas áreas de mata, nem sempre são vacinados e muitos não são esterilizados. Essa situação em que os animais domésticos, em maioria cães e gatos, se aproximam dos indivíduos nativos com manejo irregular e controle populacional ineficiente eleva a competição interespecífica e a probabilidade de transmissão de agentes patogênicos.  

Deve se ter em mente a dificuldade inicial da detecção dos impactos na biodiversidade das Unidades de Conservação, por isso ações de detecção e manejo adequados dessas espécies invasoras devem ser realizadas. Recomendações são o monitoramento das espécies invasoras, o fomento de estudos que avaliam essas relações junto à divulgação e sensibilização do assunto. Deve-se também levar em conta que essas ações de controle possuem um custo menor, se realizadas antecipadamente para se evitar impactos de maior grandeza nas áreas protegidas.

Foto disponivel em: https://myanimals.com/pt/seu-cao-e-um-bom-cacador-saiba-aqui/

Pode-se perceber então, que animais exóticos invasores acabam tendo bastante impacto sobre a biodiversidade de qualquer lugar por onde passam. Ao terem hábitos similares aos das espécies nativas, acabam por tomarem muitas vezes o lugar delas ou extinguindo as populações devido a predação e patógenos. Desta forma, é sempre importante alertar as pessoas sobre os riscos de se introduzir novos organismos, bem como a necessidade de controlar os já existentes.
Autores: 
Anna Luísa Michetti Alves, Barbara Emanuelle Lacerda de Moura, Bruna Carolina Teixeira Almeida, Gabriela Lorrany Aparecida Azevedo, Giulia Duca,  Igor Ernesto Cunha Silva
Referências:
1. ODUM, EUGENE. Fundamentos de Ecologia. Ed. 7. Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.
2. HUTCHINSON, G.E. Concluding Remarks. Cold Spring Harbor Symp. Quant. Biol., v. 22, p. 415-427, 1957.
3. ZILLER, SÍLVIA, et al. Propostas de ação para prevenção e controle de espécies exóticas invasoras. Natureza & Conservação, v. 5, n. 2, p. 8-15, out. 2007.
4. BURY, R. B. e WHELAN, J. A. Ecology and management of the bullfrog. U. S. Fish and Wildlife Service Resource Publication, 155, 1-24, 1984
5. VIZZOTO, L. D. Ranicultura. Ciência e Cultura, 36(1), 42-45, 1984
6. SCHLOEGEL, L. M.; Ferreira, C. M.; James, T. Y.; Hipolito, M.; Longcore, J. E.; Hyatt, A. D.; Yabsley, M.; Martins, A. M. C. R. P. F.; Mazzoni, R.; Davies, A. J. e Daszak, P. The North American bullfrog as a reservoir for the spread of Batrachochytrium dendrobatidis in Brazil. Animal Conservation, 13(1), 1-9, 2009
7. SILVA, E. T.; Neves, C. P. e Ribeiro Filho, O. P. Lithobates catesbeianus (American Bullfrog). Diet. Herpetological Bulletin, 114, 34-35, 2010a
8. de Oliveira, M. A. F. M. Fungo parasita de anfíbios. Unesp, 2013
9. WELLS, K.D. The Ecology and Behavior of Amphibians. Chicago and London: The University of Chicago Press, 2007
10. BOTH, C. e GRANT, T. Biological invasions and the acoustic niche: the effect of bullfrog calls on the acoustic signals of white-banded tree frogs. Biology Letters, 2012(8), 714-716, 2012
11. BOTH, Camila Chiamenti. Invasão de Lithobates catesbeianus na mata atlântica sul do Brasil: relações com espaço, ambiente e anfíbios nativos. 2012. 184 f. Tese (Doutorado em Zoologia) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.
12. SILVA, Emanuel. A Rã-Touro Norte-Americana (Lithobates catesbeianus), uma espécie invasora no Brasil. Revista de Ciências. 7. 33-48, 2016
13. ESPINOLA, Luis A; FERREIRA JULIO JUNIOR, Horácio. Invader species: concepts, models and attributes. INCI,  Caracas ,  v. 32, n. 9, p. 580-585, sept.  2007 .
14. LORENZI, H.; SOUZA, H. M.; TORRES, M. A. V.; BACHER, L. B. Árvores Exóticas no Brasil. Madereiras, ornamentais e aromáticas. 384 p, 2003.
15. NOBRE, F. V. Algarobeira no Nordeste brasileiro, especialmente no Rio Grande do Norte. In: Simpósio Brasileiro sobre Algaroba. 1. Anais. Natal: EMPARN, p. 257-282. 1982
16. PEGADO, C. M. A.; ANDRADE, L. A.; FÉLIX, L. P.; PEREIRA, I. M. Efeitos da invasão biológica de algaroba – Prosopis juliflora (Sw.) DC. sobre a composição e a estrutura do estrato arbustivo-arbóreo da caatinga no Município de Monteiro, PB, Brasil. Acta Botânica Brasílica v. 20, p. 887-898, 2006.
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PRESENÇA DE FUNGOS EM PSITACÍDEOS IMUNOSSUPRIMIDOS

PRESENÇA DE FUNGOS EM PSITACÍDEOS IMUNOSSUPRIMIDOS

Foto: Acervo CETAS- BH

Psitacídeos são vítimas de diversos fatores durante o seu comércio ilegal que os deixam imunossuprimidos e, consequentemente, propícios às enfermidades fúngicas.

Dos 38 milhões de animais silvestres que são retirados da natureza anualmente no Brasil, a maioria são aves, e os psitacídeos estão entre os principais grupos alvo. O índice de mortalidade é alto devido ao manejo inadequado (o que inclui má alimentação e higiene) e estresse durante a captura, comercialização e criação ilegal. Quando sobrevivem, acabam adquirindo com isso queda de resistência imunológica, o que pode resultar no desenvolvimento de doenças, incluindo as micoses.

As infecções oportunistas por fungos ocorrem principalmente em casos de animais imunodeprimidos, sendo que a sua principal forma de contágio é por inalação. Fatores relacionados também com o desenvolvimento fúngico são as alterações climáticas, falta de higiene e alta densidade populacional no cativeiro.

São diversas as enfermidades provocadas por fungos que podem acometer os psitacídeos, porém aqui iremos falar somente de duas delas que são bastante comuns: aspergilose e candidose.

Foto: Acervo CETAS- BH

Aspergilose

Aspergilose é uma infecção provocada pela espécie Aspergillus spp., fungos filamentosos que afetam o trato respiratório das aves. Entretanto, é possível também encontrar esses agentes no sistema nervoso central, olhos e sistema digestivo. Ela ocorre, geralmente, através da inalação de conídeos (propágulos assexuados globosos e equinulados) liberados no ambiente.

Tal doença é mais recorrente em psitacídeos jovens e/ou imunocomprometidos, resultando em elevada morbidade e mortalidade dos indivíduos, sendo essa manifestação considerada aguda. As espécies mais comuns de Aspergillus encontradas na maioria dos surtos são: A. fumigatus e A. flavus. Outra forma de manifestação do fungo é a crônica, presente normalmente em aves adultas. Ambas as formas de aparição de tal enfermidade não são contagiosas, nem capazes de se transmitirem de um animal a outro.

Segundo o estudo de Marcelo Fraga feito no CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) do Rio de Janeiro, em 2011, em que foram analisadas nove espécies diferentes de psitacídeos, por quatro meses, as Maritacas foram as que apresentaram a maior quantidade de animais de uma mesma espécie com resultado positivo para Aspergillus.

Quando apresentados os sintomas, esses incluem problemas respiratórios como rinite (dificuldade para respirar, abertura frequente do bico e respiração muito ruidosa), mudanças na vocalização e movimento da cauda acompanhando a respiração. Em caso de manifestação na forma ocular, o animal apresenta irritação nos olhos, inchaço e lacrimejo. Com o tempo podem aparecer pontos brancos que, com o seu avanço, podem acabar provocando a perda de visão. Além disso, há letargia, perda de peso, dispnéia e obstrução parcial ou total do lúmen respiratório.

Candidose

Candidose é uma infecção provocada pelo fungo do gênero Candida, um tipo de levedura que comumente apresenta uma relação de comensalismo com os animais. A doença é desencadeada em casos de desequilíbrio da flora corpórea da ave, assim como ocorrem nos casos de imunodepressão, más condições de manejo e higiene. A doença também tem como alvo os psitacídeos jovens.

Tal enfermidade é provocada com maior frequência pela Candida albicans e se caracteriza pelo engrossamento de tecidos do papo e pró-ventrículo que acabam por ficar esbranquiçados. Além disso, ocorrem lesões pelo trato digestivo e ulcerativas no intestino da ave. Diante disso, o indivíduo pode apresentar apatia, diarréia e regurgitação.

Animais com acometimento do bico e/ou boca apresentam placas brancas, muco e mau hálito e, em casos de acometimento do sistema digestório, a doença pode vir a se espalhar pelos olhos, sistema reprodutivo, sistema urinário e se tornar sistêmica em situações mais graves.

Micoses em psitacídeos jovens

Ao longo do que foi falado, foi possível ver que, geralmente, os psitacídeos jovens são mais susceptíveis às infecções micóticas independentemente da imunodepressão.

Os psitacídeos jovens são aves com sistema imune imaturo e microbiota gastrointestinal em processo de formação, o que explica essa susceptibilidade. Pelo mesmo motivo, é necessária a identificação do fungo e tratamento rápido dos indivíduos infectados.


Foto: 
Acervo CETAS-BH

Em 2009, Vieira e Coutinho realizaram um estudo com 40 filhotes de papagaio do gênero Amazona apreendidos pelo tráfico de animais silvestres, sendo as espécies: A. aestiva e A. amazonica. Como resultado, identificaram 25 cepas de Candida spp.: 60% estavam presentes em aves imunossuprimidas e os outros 40% em aves não imunossuprimidas, o que provou que psitacídeos filhotes imunodeprimidos apresentam maior propensão em adquirir fungos.

Autora: Júlia Olbrisch Ferraz
Referências
BANDEIRA, J. M..; COSTA, E. F.; SILVA, M. H.; FRANCO, L. O. Incidência de Aspergilose em aves domésticas e silvestres.
XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro.
BROCA, M. S.; SANTOS, A. P. C. : Candidíase em psitacídeos.  UNIBRASIL (Centro Universitário Autônomo do Brasil): v.5n. 1 (2019): Caderno de Resumos. Disponível em: https://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/anaisevinci/article/view/4885
BUCHERONI, G.: Onde está a fauna brasileira? Panorama do tráfico de animais revela futuro preocupante. 2019. Disponível em: http://www.renctas.org.br/onde-esta-a-fauna-brasileira-panorama-do-trafico-de-animais-revela-futuro-preocupante/
FRAGA, C. F.; OCORRÊNCIA DE DOENÇAS MICÓTICAS EM AVES SILVESTRES NO BRASIL
Trabalho apresentado como requisito parcial para graduação em Medicina Veterinária
FRAGA, M. E., MEDEIROS, M. E. DA S. AND NEVES, D. M. (2011) “STUDY OF THE Aspergilli DURING THE PERIOD OF QUARANTINE OF PSITACID BIRDS AT THE CENTRO DE TRIAGEM DE ANIMAIS SILVESTRES (CETAS), IBAMA, SEROPÉDICA, RJ”, Brazilian Journal of Veterinary Medicine, 33(2), pp. 68-72. Available at: http://rbmv.org/index.php/BJVM/article/view/792
MANGINI, J. : Pesquisa detecta bactérias e fungos em 62% de passarinhos traficados. 2014. Disponível em: http://agencia.fapesp.br/pesquisa-detecta-bacterias-e-fungos-em-625-de-passarinhos-traficados/19558/
MELVILLE, P. A. : Caracterização da microbiota intestinal bacteriana e fungica em passeriformes silvestres confiscados do tráfico que serão submetidos a programas de realocação. São Paulo, 2011-2013.  Disponível em: https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/45528/caracterizacao-da-microbiota-intestinal-bacteriana-e-fungica-em-passeriformes-silvestres-confiscados
OLIVEIRA, B. : Aspergilose em calopsitas. 2013. Disponível em: https://www.petlove.com.br/dicas/aspergilose-em-calopsitas
PESSOA, C. A. : Artigo: Aspergilose nas aves domésticas, exóticas e silvestres. 2015. Disponível em: https://clubedascalopsitas.com.br/topic/71-artigo-aspergilose-nas-aves-dom%C3%A9sticas-ex%C3%B3ticas-e-silvestres-dr-alexandre-pessoa/
TEIXEIRA, V. M.C.: Candidíase em calopsitas. 2012. Disponível em: https://www.petshopauqmia.com.br/2012/11/01/candidiase-em-calopsitas/

O PROBLEMA DA HUMANIZAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES

O PROBLEMA DA HUMANIZAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES

Foto: Internet

“Cuida bem do meu filho”, “É como um membro da família”. Essas são frases que nós costumamos escutar muito quando pessoas se referem a algum pet ou animal silvestre criado em cativeiro.

Esse é um assunto polêmico, onde a diferenciação no tratamento dos animais pode trazer grandes consequências não só para eles, mas também para a gente. O risco de transmissão de doenças é muito maior quando o animal vive diariamente no mesmo ambiente que as pessoas. Além disso, o animal pode desenvolver distúrbios no comportamento, principalmente quando são espécies sociáveis, e acabam se identificando com seus donos.

Quando se trata de animais silvestres, temos outro ponto chave na questão da humanização: a reintrodução desses indivíduos na natureza. O animal humanizado tem dificuldades imensamente maiores para se adaptar ao novo estilo de vida para ser livre. 

Um dos maiores exemplos que temos, quando se trata de domesticação e humanização de animais silvestres, são os macacos-pregos. Por serem animais carismáticos, habilidosos e socializáveis, esses animais ganham muita atenção, mas a domesticação de primatas pode oferecer muitos riscos. 

A raiva, febre hemorrágica, hepatites, herpes símia (B), tétano, amebíase e tuberculose, são exemplos de doenças que, ao compartilhar do mesmo ambiente diariamente com primatas, podem ser transmitidas para a gente, assim como, esses animais também podem se infectar com doenças transmitidas por nós.

Normalmente as pessoas pegam o primata quando ainda é filhote e começam sua domesticação nessa fase, quando o animal ainda é dócil e carinhoso. Mas à medida que o animal vai crescendo e atinge a puberdade, os primatas começam a demonstrar temperamentos difíceis, tornado-se agressivos e possessivos. Por não conseguir lidar com esse novo comportamento arredio, os macacos então perdem seu encanto e doçura, e muitos de seus donos procuram entregar o animal, ou pior, fazem a soltura indevida do animal na natureza.

Foto: Watchara Phomicinda, 2009

Outro grande exemplo são os papagaios, que geralmente são retirados do ninho ainda filhotes, sem nunca terem contato com outros indivíduos da mesma espécie. São então criados por humanos, comendo biscoito, pão, café e aprendendo a imitar falas e até imitando sons de carros e campainha.

Esses animais chegam aos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres completamente humanizados. Com dietas desequilibradas e impróprias, cantando ao invés de vocalizar, usando roupas ou até mesmo fraldas e acostumados com o contato humano.

A personalidade desses animais pode influenciar seus comportamentos de sobrevivência e reprodução na natureza, afetando sua noção de perigo, da presença de predadores; causando falta de agressividade, sociabilidade com outros indivíduos da mesma espécie e capacidade de buscar comida e se alimentar sozinho.


Foto: 
Marcos Serra Lima/EGO, 2014

Mas isso não significa que ele não irá conseguir voltar para a natureza!!

Existem técnicas para manejar esses animais, a fim de garantir que ele volte a expressar seus comportamentos naturais! Ao ser reabilitado, a primeira medida a ser tomada é evitar ao máximo o contato humano, colocando-o próximo a indivíduos da mesma espécie, para um período de adaptação. Em seguida, quando o animal estiver mais tranquilo, é colocado em contato com outros para tentar socializar. São realizados também diversos tipos de enriquecimentos ambientais, para estimular a busca de alimento e melhorar suas habilidades cognitivas. 

Outra técnica muito interessante que é utilizada na reintrodução de animais na natureza é o treinamento anti-predação, fazendo com que aprendam a ter medo e fugir de seus predadores. Um bom exemplo disso é observado no PROJETO VOAR realizado pelo Waita, no qual, vários papagaios domesticados foram reintroduzidos na natureza e monitorados para avaliar seu desempenho em vida livre. O projeto rendeu resultados maravilhosos! Para saber mais sobre o projeto e ler os artigos produzidos você pode acessar o Projeto Voar no nosso site!

Autora: Inaiá Ramirez Tupinambás
REFERÊNCIAS 
ASSOCIAÇÃO ANIMAL CARE. Os perigos causados pela domesticação do Macaco-prego. Disponível em: https://associacaoanimalcare.com.br/domesticacao-macaco-prego/>. Acesso em 29 set de 2020.
BRAGA, ERNESTO. Papagaios domesticados são devolvidos ao habitat para preservação da espécie. Disponível em:<https://www.hojeemdia.com.br/horizontes/papagaios-domesticados-s%C3%A3o-devolvidos-ao-habitat-para-preserva%C3%A7%C3%A3o-da-esp%C3%A9cie-1.358135>. Acesso em 29 set de 2020.
LOPES, ALICE R.S. et al. The influence of anti-predator training, personality and sex in the behavior, dispersion and survival rates of translocated captive-raised parrots.  Global ecology and conservation. Belo Horizonte, p. 146-157, 2017.

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O TRÁFICO DE PRIMATAS NO BRASIL

O TRÁFICO DE PRIMATAS NO BRASIL

Você já parou para pensar na crueldade e condições em que os animais traficados são submetidos e que muitos deles morrem antes mesmo de chegar nas mãos do comprador?

O tráfico de animais silvestres no Brasil, segundo dados do IBAMA, provoca a retirada anual de aproximadamente 38 milhões de exemplares das florestas e matas. O alto índice de retirada dos animais de seu habitat coloca em risco de extinção um número cada vez maior de animais, além de contribuir com a exploração econômica de florestas. Os animais capturados no Brasil, em sua maioria, são comercializados no próprio território brasileiro, sendo que as regiões mais afetadas são o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.Os primatas são visados pelas pessoas como pet por serem muito inteligentes e por sua grande semelhança com os seres humanos. Por serem animais não convencionais para se ter em casa, acabam sendo, também, um objeto de ostentação.

Foto: Acervo CETAS-BH
Consequências do tráfico
 
Ao contrário de animais de estimação, todos os primatas precisam de extensos períodos de aprendizagem com suas mães. Isso significa que afastá-los de suas mães ainda com meses de idade faz com que não saibam como se comportar e acabam se tornando humanizados. Como a maioria desses macacos acaba abandonada, torna-se muito difícil reabilitá-los para voltarem para a natureza. 
 
Muitas vezes os caçadores ilegais para pegar os filhotes acabam matando suas mães e mesmo macacos criados em cativeiro quando são separados da mãe acabam ficando tristes, parando de comer e desencadeando problemas nutricionais, emocionais e físicos. 
 
Para levar os macacos às cidades para a venda, eles são escondidos em maletas, caixas de plástico e lugares muito apertados, o que leva muitos animais a morrerem asfixiados. Estima-se que, para cada macaco que sobrevive e é vendido, nove macacos morrem no transporte. Quando são comprados e chegam à idade adulta, eles se tornam mais agressivos e então acabam sendo abandonados. Em alguns casos, são presos, escondidos ou sacrificados.
Foto: M. Fogaça

Doenças 

Os primatas podem transmitir vários patógenos causadores de zoonoses e quando são criados em domicílio as chances de contaminação são ainda maiores devido a proximidade com o animal. Protozoários, ou seja, microorganismos, como por exemplo o  Toxoplasma gondii, Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, helmintos, filarídeos, estrongilídeos e ancilostomídeos, que eliminam formas contaminantes através das fezes do hospedeiro são alguns dos agentes zoonóticos que primatas não humanos podem transmitir.

Outros grupos de agentes etiológicos, como os vírus, também são responsáveis por enfermidades zoonóticas, algumas graves e perigosas, como é o caso da raiva e das hepatites virais. As hepatites virais dos tipos A e E podem ser transmitidas ao homem pelos primatas não humanos principalmente por via fecal-oral; portanto, animais portadores do vírus podem, em domicílio, contaminar o ambiente, os alimentos e, consequentemente, as pessoas.

Existem doenças que não são perigosas para macacos, mas para seres humanos podem ser mortais. Um exemplo é o vírus herpes B, presente nas populações de macacos, que nos causa uma doença neurológica fatal. Quando esses animais são comprados de forma ilegal não tem atendimento veterinário e não são vacinados.

Os animais silvestres não nasceram para viver em gaiolas nem em casas pequenas, mas sim para serem livres. A nossa biodiversidade está sendo ameaçada pela ganância humana, não  podemos aceitar e nem fomentar esse tipo de crueldade.

Autora: Luísa Lithg

 

Referências

https://ibiti.com/pt/2017/01/02/conheca-o-projeto-asas-e-a-preservacao-do-muriqui-do-norte/

Programa de Preservação do Muriqui-do-Norte.

Souza Junior JC. Perfil sanitário de bugios ruivos, Alouatta guariba clamitans (Cabrera, 1940) (Primates: Atelidae): um estudo com animais recepcionados e mantidos em perímetro urbano no município de Indaial, Santa Catarina – Brasil [dissertação]. Florianopólis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública; 2007

Diniz LSM. Primatas em cativeiro: manejo e problemas veterinários. São Paulo: ícone; 1997. 196 p.

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TEMPORADA REPRODUTIVA DAS MARITACAS – COMO ATUAR FRENTE A NINHOS EM SUA RESIDÊNCIA E COMO EVITAR ESSAS SITUAÇÕES

TEMPORADA REPRODUTIVA DAS MARITACAS – COMO ATUAR FRENTE A NINHOS EM SUA RESIDÊNCIA E COMO EVITAR ESSAS SITUAÇÕES

As maritacas, também conhecidas como periquitão-maracanã, são psitacídeos encontrados em muitos países da América do Sul, sendo, em muitos locais do continente, considerado sinantrópicos, ou seja, animais silvestres que são comumente confundidos com animais domésticos devido à sua freqüência em cidades. Nas áreas urbanas, esses animais não só sobrevivem, como também se reproduzem, o que muitas vezes gera conflitos com os humanos.

Foto: Angélica Araújo

As maritacas (Psittacara leucophtalma) antes classificadas no gênero Aratinga, são animais de coloração esverdeada que apresentam as coberteiras inferiores da asa vermelhas, podendo possuir penas vermelhas também nas laterais da cabeça e no pescoço. Pesam em torno de 140 a 171 gramas e possuem um tamanho médio de 30 a 32 centímetros. Alimentam-se de frutos e sementes e habitam na natureza, tanto áreas de bordas de mata e cerradão, como também áreas abertas.

São facilmente avistadas no período não reprodutivo, quando possuem o hábito de voar em bandos de 5 a 40 indivíduos. No entanto, os conflitos com os seres humanos começam a ocorrer entre agosto e janeiro, quando, na época reprodutiva, esses animais formam casais e procuram – cada casal isoladamente – locais para nidificar. A nidificação pode ocorrer em ocos de pau, palmeiras de buriti, paredões de pedra e no caso dos centros urbanos, comumente em telhados de edificações. Os ovos são postos diretamente na superfície do local de nidificação, como em muitos psitacídeos e assim, não possuem o hábito de juntar material para a construção de um ninho, como muitas vezes observados em espécies de passeriformes. Nas edificações tendem a se manter discretas, mas muitas são as pessoas que se incomodam (principalmente quando as maritacas entram nos forros das casas) observando barulhos tanto da vocalização como da movimentação dos pais e filhotes. Além do mais, tendem a roer fios e forros se esses estiverem presentes, podendo causar no caso da fiação, curto-circuito.

Foto: Mundo ecologia

O QUE FAZER QUANDO SUA CASA SE TORNA UM LOCAL DE NIDIFICAÇÃO E COMO EVITAR

Conforme a lei 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) a destruição de ninhos, abrigos ou criadouros naturais é considerada crime ambiental. Assim, quando já houver um ninho em sua residência, o correto e única coisa a se fazer é aguardar o crescimento dos filhotes, visto que ao crescerem irão abandonar o ninho. O período entre a postura os ovos e a saída dos filhotes do ninho leva e 40 a 60 dias. Após esse período técnicas de prevenção podem ser aplicadas a fim de evitar que na próxima temporada reprodutiva, um novo casal nidifique no local.

Para evitar a nidificação basta observar todos os possíveis locais de entrada de indivíduos adultos e tampá-los, seja fixando telas nos vãos entre as telhas ou fechando os locais com qualquer outro material minimamente resistente.

Foto: Estalagem do Mirante

Autora: Jéssica Oliveira Amaral

Referências:

FOLDER: Centro de triagem de animais silvestres.

RIDGELY, R. S., et al. Aves do Brasil: Mata Atlântica do Sudeste. São Paulo: Editora Horizonte. 2015. 417p.

WIKIAVES.  Periquitão maracanã. Disponível em: https://www.wikiaves.com.br/wiki/periquitao-maracana.  Acesso em: 23/03/2020.

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DIA 09 DE SETEMBRO- DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

DIA 09 DE SETEMBRO- DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

Comemorado no dia 09 de setembro o dia do médico veterinário celebra a profissão responsável por cuidar da saúde dos animais e também da preservação da saúde humana.

Foto: Clínica Vet Produtor

A profissão 

A história da medicina veterinária surgiu desde os tempos primitivos quando o homem começou a domesticar os animais, mas somente em 1761 que a veterinária passou a ser uma profissão científica por meio da criação da primeira escola de medicina veterinária na França. Já no Brasil somente em 1910 que surgiram as primeiras instituições, em 1917 os primeiros veterinários estavam se formando, mas somente em 9 de setembro de 1933 através do decreto Lei nº 23.133 que o primeiro diploma foi legalizado. 

Áreas de atuação 

O médico veterinário possui uma ampla área de atuação; além do atendimento de domésticos e silvestres em clínicas de pequenos e grandes animais, podem atuar como consultores, responsáveis técnicos, área acadêmica, perícias, laboratórios, fiscalização e produção de produtos de origem animal, produção de vacinas e medicamentos para uso animal, na área comercial entre outras. 

O papel do Médico Veterinário na conservação da vida silvestre

A atuação no âmbito da conservação da fauna ocorre ex-situ, nos zoológicos, aquários, criadouros, centros de reabilitação (CETAS e CRAS); como in situ, desenvolvendo e participando de projetos na natureza onde o fator doença ou a contenção farmacológica se fazem necessários, como nos processos de translocação de fauna. Com isso, o médico veterinário atua reduzindo o risco de enfermidades de natureza infecciosa ou infecto-contagiosa que possam veicular entre os animais, protegendo a vida individual e coletiva, impedindo a propagação de agentes patogênicos no meio ambiente e zelando pelo bem-estar e pela ética na manutenção de fauna. 

Médicos veterinários de selvagens podem ainda participar de comitês e planos de manejo (ex-situ e in-situ) de espécies potencialmente ameaçadas de extinção, atuando não apenas no monitoramento, como também na reprodução ex-situ, utilizando biotécnicas de reprodução, como inseminação artificial, fecundação in vitro, dentre outras.

Autora: Fabiana Costa Machado


Bibliografia

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE VETERINÁRIOS DE ANIMAIS SELVAGENS. O Médico Veterinário de Animais Selvagens. Disponível em: https://www.abravas.org.br/conteudo.php?go=2&file=diretoria-e-conselhos.html. Acesso em: 05 set. 2020.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Sobre a instituição: história. Brasília, 2020. Disponível em: http://portal.cfmv.gov.br/pagina/index/id/40/secao/1. Acesso em: 31 ago. 2020.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Áreas de atuação. Brasília, 2020. Disponível em: http://portal.cfmv.gov.br/pagina/index/id/67/secao/5. Acesso em: 31 ago. 2020

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O QUE NOS MOVE? CONCEITO DE BIOFILIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A CONSERVAÇÃO

O QUE NOS MOVE? CONCEITO DE BIOFILIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A CONSERVAÇÃO

É comum que pessoas que gostem muito de animais cresçam ouvindo frases de caráter negativo do tipo “Você é louco (a)!”, “Como você consegue encostar nisso?”, “Você não tem medo?”. Principalmente quando não existem pessoas próximas da área ambiental na família, muitos parentes se questionam: De onde surgiu isso?

Bom, existe uma explicação científica e evolucionista para pessoas que nascem amantes da natureza e dos animais. A Biofilia, que significa amor pela vida (bio=vida; philia=afeição, amor), é um termo que foi popularizado pelo biólogo Edward O. Wilson em 1984, quando lançou um livro chamado “Biophilia”. Wilson defende em seu livro que a ligação emocional que nós temos com a natureza e outros seres vivos é uma característica hereditária, ou seja, que está em nossos genes, e foi transmitida ao longo dos processos evolutivos, pois representava sobrevivência. 

Apesar da teoria de Wilson, a biofilia como característica herdada não é cientificamente comprovada. Hoje em dia, acredita-se que, se é uma tendência genética, ela é fraca e o ambiente em que nós estamos inseridos é o que realmente molda a forma como interagimos com a natureza e nos sentimos em relação a ela. 

O contexto pessoal, social e cultural que envolve cada um de nós impacta diretamente na relação que temos com a natureza. Então, mesmo que a biofilia seja hereditária, a necessidade de reforçar as conexões com a natureza é fundamental.

É importante incentivar a formação de um caráter biofílico, principalmente em crianças.  Acredita-se que o contato com a natureza seja capaz de influenciar crianças a desenvolverem atitudes biofílicas (afeição) ou biofóbicas (medo) o que, consequentemente, afeta suas atitudes perante a conservação.

Dessa forma, teríamos mais crianças dispostas a cuidar e conservar a natureza e dispersando atitudes biofílicas em relação à vida selvagem. Quem sabe até mesmo possíveis cientistas no futuro.

Autora: Cristianne Albergaria

Referências: 

KRČMÁŘOVÁ, Jana. EO Wilson’s concept of biophilia and the environmental movement in the USA. Klaudyán: Internet J Histor Geogr Environ History, v. 6, n. 1/2, p. 4-17, 2009.

SIMAIKA, John P.; SAMWAYS, Michael J. Biophilia as a universal ethic for conserving biodiversity. Conservation Biology, v. 24, n. 3, p. 903-906, 2010.

ZHANG, Weizhe; GOODALE, Eben; CHEN, Jin. How contact with nature affects children’s biophilia, biophobia and conservation attitude in China. Biological Conservation, v. 177, p. 109-116, 2014.

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