OS PAPAGAIOS DE MINAS GERAIS

OS PAPAGAIOS DE MINAS GERAIS

Você sabe quantas espécies de papagaios ocorrem no estado de Minas Gerais? Seus hábitos? Características e curiosidades? Então vem conferir um pouco sobre as espécies magníficas que vivem nesse estado tão magnífico quanto.

O estado de Minas Gerais ocupa uma área de aproximadamente 600 mil km², sendo um dos maiores estados do nosso país. Sua enorme área e localização proporcionam biomas ricos em biodiversidade, sendo os mais importantes do estado a Mata Atlântica e o Cerrado. Esses biomas abrigam espécies raras e de suma importância para a manutenção ecológica desses biomas, como os papagaios. Aves da família dos psitacídeos, possuem o bico curvo, quatro dedos em cada pata e comportamento social altamente desenvolvido. Em Minas Gerais, temos a ocorrência de seis espécies: o papagaio-galego, o papagaio-do-peito-roxo, o papagaio-moleiro, o papagaio-do-mangue, o papagaio-chauá e o papagaio-verdadeiro. Em todo o estado temos representantes dessas espécies, porém somente o papagaio-verdadeiro é bem distribuído, as demais espécies estão restritas a pequenas áreas de ocorrência, contudo o contato com o ser humano é inevitável. Os papagaios são uma das maiores vítimas do tráfico de animais silvestres. Mas antes de falarmos sobre isso, vamos aos detalhes de cada espécie:

Papagaio-galego – Alipiopsitta xanthops

Foto: Acervo CETAS-BH

Papagaio-galego – Alipiopsitta xanthops (quase ameaçado de extinção)

Uma das menores espécies que temos, mede cerca de 25 cm de comprimento. Em Minas habita o Cerrado, alimentando-se de frutos e sementes desse bioma, sendo um importante dispersor. Alguns estudos indicam que a coloração amarelada encontrada na barriga é na verdade uma característica encontrada somente em machos, portanto um dimorfismo sexual da espécie.

Papagaio-do-peito-roxo – Amazona vinacea 
Foto: Acervo CETAS-BH

Papagaio-do-peito-roxo – Amazona vinacea (ameaçado de extinção: Vulnerável na lista do Brasil / Em perigo na IUCN)

Pode chegar aos 35 cm de comprimento. Habita a Mata Atlântica e zonas de transição, alimenta-se principalmente de frutos e sementes, mas tem em seu cardápio folhas e flores também. Possui um “colete" roxo apenas no peito, o que o diferencia dos demais.

Papagaio-moleiro – Amazona farinosa

Foto: Stannate, disponível em: https://www.flickr.com/photos/24164603@N00/1286442607

Papagaio-moleiro – Amazona farinosa (quase ameaçado de extinção)

É a maior espécie de papagaio de todo o país, com cerca de 40 cm de comprimento. Possui uma área de ocorrência pequena em MG, ocorre na Mata Atlântica e Zonas de transição. A espécie leva esse nome farinosa, pois sua plumagem leva um pó branco, com aspecto de farinha.

Papagaio-do-mangue – Amazona amazonica 

Foto: Acevo CETAS-BH

Papagaio-do-mangue – Amazona amazonica (estado de conservação pouco preocupante)

Pode chegar aos 34 cm de comprimento. Leva esse nome, pois em regiões costeiras habita os manguezais. Possui ampla distribuição por todo o continente Sul Americano, exceto em Minas Gerais, onde habita as regiões quentes do Triângulo Mineiro. A espécie foi, provavelmente uma das primeiras a ser avistada e identificada pelos portugueses ao chegar no Brasil.

Papagaio-chauá – Amazona rhodocorytha 

Foto: Acevo CETAS-BH

Papagaio-chauá – Amazona rhodocorytha (em risco de extinção – Vulnerável )

Mede cerca de 37 cm de comprimento. Tem uma beleza que chama a atenção por sua coloração na cabeça. Possui uma área de distribuição extremamente restrita, ocorrendo em poucas áreas em Minas Gerais, ocupa pequenas faixas de Mata Atlântica no estado. Estima-se que sua população será reduzida pela metade em 10 anos.

Papagaio-verdadeiro – Amazona aestiva 

Foto: Acevo CETAS-BH

Papagaio-verdadeiro – Amazona aestiva (estado de conservação pouco preocupante)

Espécie mais popular entre os papagaios. Pode chegar até os 37 cm de comprimento. Ocorre no Cerrado e Mata Atlântica. Por sua notável inteligência e capacidade de reproduzir a fala humana, é um dos psitacídeos mais visados pelo tráfico de animais silvestres.

Essas espécies possuem alimentação semelhante, alimentam-se de frutos, sementes, folhas e flores dos seus respectivos biomas. Como se alimentam de forma parecida e em alguns casos ocorrem no mesmo ambiente, é comum ver bandos de papagaios, no Brasil com diversas espécies. São animais extremamente sociáveis, porém é comum observá-los aos pares. 

Devido ao alto grau de socialização dessas espécies, a beleza e capacidade imitar a voz humana, são umas das principais vítimas dos traficantes. Você sabia que todos os anos o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Belo Horizonte recebe todas essas espécies? Por isso e outro fatores antrópicos, muitas dessas espécies se encontram em risco de extinção. Não compre animais silvestres ilegais! Colabore para a conservação dessas espécies!

Autor: Gabriel de Oliveira Rodrigues @eu.oli

Informações retiradas do site WikiAves, IUCN e Lista de espécies da Fauna brasileira ameaçada de extinção.

ENTRE EM CONTATO.
ACOMPANHE NOSSO TRABALHO

waita.ong@gmail.com

PSITACÍDEOS: AMOR E O MITO DA FIDELIDADE

PSITACÍDEOS: AMOR E O MITO DA FIDELIDADE

Papagaios do mangue (Amazona amazonica)

Foto: Thamiris A. Freitas

Liberdade. Essa é a palavra que define o comportamento de casal dos psitacídeos. Mas antes, preciso lhe perguntar: você sabe o que são psitacídeos?

Caso a resposta seja negativa, aqui está: psitacídeos são aves da família Psittacidae, e incluem os papagaios, periquitos, araras, maritacas, maracanãs, jandaias e afins. 

Esse grupo tem como principal característica a inteligência, refletida nos hábitos sociais desses animais.

Dito isso, percebemos que a maioria dos psitacídeos são aves sociais e tem hábitos gregários. 

Na natureza, eles vivem em grupos pequenos, pares ou bandos de até centenas de indivíduos. Além disso, eles escolhem os seus parceiros e formam casais. Essa escolha é livre, podendo ser uma ave do sexo oposto ou do mesmo sexo. O casal tem demonstrações de carinho, como oferecer comida no bico, coçar penas e defender o parceiro. Normalmente, os psitacídeos tem comportamento monogâmico, mas isso não impede que eles formem outros tipos de relacionamentos e nem que mudem de parceiro durante a vida.

Periquito-rei (Eupsitulla aurea
Foto: Alexia F. Alves

Já em cativeiro, devido ao estresse a qual as aves são submetidas, podem ocorrer falhas de socialização. Como a escolha é livre, na falta de dois psitacídeos da mesma espécie, ele pode escolher como casal um humano, cachorro, gato, ou outra ave de espécie diferente. 

As aves se tornam inseguras e ciumentas, refutando qualquer tipo de contato com terceiros. Por esse motivo, quando um tutor possui um psitacídeo em casa, se a ave o escolher, ela não o vê como “mãe ou pai”, e sim como um “cônjuge”. 

Como essas aves não apresentam dimorfismo sexual, os cativeiros que tem psitacídeos para fins reprodutivos precisam realizar a sexagem dos animais e um manejo a fim de formar casais compatíveis para o desenvolvimento de filhotes. 

Na época reprodutiva, as aves realizam a corte com exibições de plumagem, vôos e vocalizações. Após a escolha definitiva do parceiro, nidificam em ninhos e incubam os ovos por um longo período. 

Essas aves possuem cuidado parental, sendo necessário o trabalho conjunto do casal para o desenvolvimento da prole.

Periquito-da-caatinga (Aratinga cactorum)

Foto: Ariela C. Celeste

É preciso então entender os hábitos comportamentais dos animais e suas diferenças, tanto na natureza, cativeiros ou nos CETAS, para lidar da melhor forma e evitar o estresse, respeitando a individualidade de cada ave e fazendo um bom trabalho de socialização.

Autora: Alexia F. Alves

Referências:

Clique para acessar o cp130946.pdf

https://www.wikiaves.com.br/wiki/psittacidae

https://www.wildvet.com.br/blog

Allgayer, M. C. & Cziulik, M. 2007. Reprodução de psitacídeos em cativeiro. Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.31, n.3, p.344-350

ENTRE EM CONTATO.
ACOMPANHE NOSSO TRABALHO

waita.ong@gmail.com

Translate