O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), é uma espécie endêmica da Mata Atlântica e uma das espécies de papagaio mais ameaçadas de extinção no Brasil. As principais ameaças que acometem a espécie estão relacionadas à ação antrópica, sendo a perda de hábitat e o tráfico de animais silvestres.
Segundo a IUCN (International Union for Conservation of Nature), seu status de conservação é “Endangered”, ou seja, está em perigo de extinção. O mesmo órgão internacional estima que, na natureza, existam apenas entre 1.000 e 2.499 indivíduos maduros, fato alarmante para uma espécie que ocorre em um bioma também degradado.
Com relação à distribuição da espécie no Brasil, existem populações disjuntas que vão desde o sul da Bahia até o norte do Rio Grande do Sul. As maiores estimativas para a espécie estão concentradas mais ao sul do país. Assim, esse fator também faz com que, naturalmente, tais populações mais numerosas recebam mais atenção e, consequentemente, sejam mais estudadas. Porém este fato que não exime a importância das demais populações residentes em outras regiões.

Um olhar para as populações em Minas Gerais: o Projeto VOAR
O Projeto Voar: Papagaio-de-peito-roxo, executado pelo Waita – Instituto de Pesquisa e Conservação, reforça o olhar para as populações da espécie no estado de Minas Gerais. O projeto tem como objetivo contribuir com a conservação da espécie por meio do revigoramento populacional no estado. Além disso, o Instituto conduz pesquisas voltadas à reabilitação de papagaios cativos, monitoramento em vida-livre, alimentação natural e características reprodutivas da espécie em Minas Gerais.

Desde 2021, no município de Dom Joaquim/MG, a iniciativa atua em várias frentes:
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- Reabilitação e Soltura: Já são 72 indivíduos que passaram por protocolos de reabilitação, com 50 deles devolvidos à vida livre e monitorados.
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- Pesquisa Científica: Estudos sobre reabilitação, monitoramento, alimentação natural e características reprodutivas buscam entender as especificidades das populações mineiras.
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- Monitoramento Contínuo: Em 2025, um grupo de 12 papagaios, soltos no ano anterior, foi acompanhado de perto, representando a quarta fase do projeto.
Educação ambiental: a semente da conservação
O Projeto Voar entende que a ciência sozinha não basta. Por isso, além do carácter técnico-científico, o projeto conta com uma forte vertente de educação ambiental no município, atuando a partir de visitas contínuas junto a população rural, além de atividades propostas na cidade. As atividades são realizadas em rádios locais, em praças e escolas, de modo que atinjam a população local em sua totalidade. Como marco da atuação no âmbito da educação ambiental, no ano de 2023 foi aprovado o Dia do Papagaio-de-peito-roxo junto à câmara de vereadores. Comemorado anualmente no dia 22 de outubro, a data foi escolhida por ser o dia da primeira soltura realizada pelo Projeto Voar. Portanto, o Dia do Papagaio fortalece os esforços ambientalistas, tornando o papagaio-de-peito-roxo símbolo para a população de Dom Joaquim e da conservação do meio ambiente.



Alcance Nacional e Internacional
O trabalho do Waita ganhou projeção em 2025. Além do monitoramento de mais um grupo de papagaios, o instituto foi convidado a participar do censo populacional internacional da espécie. O censo abrangeu Brasil, Argentina e Paraguai, países de ocorrência da espécie. Surpreendentemente, em Dom Joaquim, em apenas três dias de contagem, foi registrada uma média diária de 100 papagaios – um número expressivo para a população global estimada.
Além disso, o Waita integrou a “Semana dos Psitacídeos”, uma ação conjunta com diversas instituições de conservação do país (como Parque das Aves, Programa Papagaios do Brasil e Zoológico de São Paulo) para divulgar a importância dessas aves para os ecossistemas. As instituições foram: AZAB (@azab_oficial), BluestOne Brasil (@bluestonebrasil), CEMAVE/ICMBio (@icmbio.cemave), Fundação Lymington, Grupo de Pesquisa e Conservação da Arara-azul-de-lear (@projetoararaazuldelear), Instituto Fauna Brasil (@institutofaunabrasil) Projeto de reintrodução do Amazona vinacea, MZUSP (@museu_zoologia), Parque das Aves (@parquedasaves), Programa Papagaios do Brasil (@programapapagaiosdobrasil), Projeto Charão – AMA/UPF (@projetocharao), Projeto Papagaio-verdadeiro – Fundação Neotrópica do Brasil (@projetopapagaioverdadeiro e @fundacaoneotropicadobrasil), Projeto Periquito-cara-suja – Aquasis (@carasuja_aquasis), SPVS (@spvsbrasil), Waita – Instituto de Pesquisa e Conservação (@waita.ong), Zoológico de Curitiba e Zoológico de São Paulo (@zoosaopaulo).
Por Que Esse Trabalho é Tão Importante?
Em meio à degradação de seu habitat e de seu declínio populacional, estudar e proteger as populações de papagaio-de-peito-roxo em Minas Gerais é crucial. Essas aves, que vivem distantes dos grandes grupos do sul, podem apresentar características únicas de adaptação a um outro bioma. Dessa forma, entender essas particularidades é chave para traçar estratégias eficazes de conservação que possam reverter o declínio populacional da espécie.
O Projeto Voar é, portanto, um farol de esperança. Ele demonstra que a união entre pesquisa científica rigorosa, ações práticas de reabilitação e um profundo engajamento com a comunidade pode criar um caminho sustentável para garantir que o canto do papagaio-de-peito-roxo continue ecoando pelas matas de Minas Gerais e do Brasil.


