Projeto Cuitelão: conheça a pesquisa que ajuda a conservar uma das aves mais raras da Mata Atlântica

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A Mata Atlântica abriga centenas de espécies únicas, entre elas está o Cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla), uma pequena ave pouco conhecida pela ciência e que depende de ambientes muito específicos para sobreviver.

Desde 2022, o Waita desenvolve pesquisas para ampliar o conhecimento sobre essa espécie e contribuir para sua conservação por meio do Projeto Cuitelão.

O que é o Projeto Cuitelão?

O Projeto Cuitelão é realizado pelo Waita e  tem como foco estudar a ecologia da espécie Jacamaralcyon tridactyla, buscando compreender como ela utiliza o ambiente, quais características são essenciais para sua sobrevivência e quais estratégias podem contribuir para sua conservação a longo prazo.

Além das pesquisas de campo, o projeto também desenvolve ações de educação ambiental junto às comunidades locais, fortalecendo a participação da sociedade na conservação da biodiversidade.

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Ações do Projeto Cuitelão. Créditos: Acervo Waita

Quando o projeto teve início?

O Projeto Cuitelão teve início em 2022, marcando o começo de uma importante linha de pesquisa voltada para essa ave endêmica da Mata Atlântica.

Na primeira fase, a equipe concentrou esforços em compreender como a espécie utiliza o habitat e quais elementos da paisagem são fundamentais para sua permanência.

Quantas fases o projeto já teve?

Até o momento, o projeto conta com duas fases.

A primeira, iniciada em 2022, teve como principal objetivo estudar a seleção e o manejo de habitat da espécie, em parceria com o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), por meio de convênio estabelecido com a companhia Eletrobras Furnas.

A segunda fase, iniciada em 2025 e com continuidade em 2026, amplia esse conhecimento ao investigar o comportamento reprodutivo do cuitelão e a forma como ele utiliza seus ninhos em vida livre.

Conhecendo o Cuitelão

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Indivíduos de cuitelão. Créditos: Gleidson Rezende/Acervo Waita

O Cuitelão é uma ave endêmica da Mata Atlântica, ocorrendo atualmente no estado do Rio de Janeiro, leste de Minas Gerais e sul da Bahia.

Registros históricos mostram que a espécie também já ocorria no Espírito Santo (último registro em 1940), São Paulo (1975) e Paraná (1961), evidenciando uma redução significativa de sua área de distribuição ao longo das últimas décadas.

É uma ave insetívora que se alimenta principalmente de pequenas mariposas e borboletas.

Seu habitat está associado a áreas próximas de cursos d’água, onde escava cavidades em barrancos localizados nas matas e também às margens de estradas para construir seus ninhos.

Apesar dessas características já serem conhecidas, ainda existem poucas informações científicas sobre seu comportamento em vida livre, especialmente sobre o uso dos ninhos durante e após o período reprodutivo.

O que foi descoberto na primeira fase do projeto?

Durante a primeira fase, realizada em 2022, a equipe delimitou a área de vida do Cuitelão e realizou um estudo para identificar quais espécies de árvores são utilizadas como poleiros durante a busca por alimento.

Entre as espécies mais utilizadas estão:

  • Angico (Anadenanthera peregrina);
  • Garapeira (Apuleia leiocarpa);
  • Ipê-amarelo (Handroanthus chrysotrichus);
  • Ingá (Inga laurina);
  • Faveiro (Platypodium elegans).

Outro importante avanço foi o uso da técnica de radiotelemetria, que permitiu acompanhar cinco indivíduos durante aproximadamente um mês nos municípios de Chiador (MG), Além Paraíba (MG) e Sapucaia (RJ), nas proximidades da Usina Hidrelétrica de Simplício.

Essas informações permitiram compreender melhor como a espécie utiliza o ambiente e quais áreas são prioritárias para sua conservação.

Além das pesquisas, o projeto realizou oficinas de produção de mudas com estudantes das escolas da região, utilizando sementes das espécies de árvores identificadas durante o estudo.

Posteriormente, alunos e professores participaram do plantio dessas mudas, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e favorecendo a presença do cuitelão em seu habitat natural.

A segunda fase do projeto

A segunda fase do Projeto Cuitelão, desenvolvida entre 2025 e 2026, acontece no município de Dom Joaquim (MG) e busca aprofundar o conhecimento sobre a biologia reprodutiva da espécie.

O principal objetivo é compreender como o cuitelão utiliza seus ninhos, descrevendo o período reprodutivo, caracterizando o habitat escolhido para escavação das cavidades e estimando o sucesso reprodutivo da espécie.

Até o momento, os resultados já demonstram a importância do monitoramento contínuo.

Foram identificadas:

  • 159 cavidades potencialmente utilizadas pela espécie;
  • 14 ninhos ativos;
  • Cerca de 40 indivíduos monitorados em um perímetro de aproximadamente 18 quilômetros de estrada.

Mensalmente, a equipe acompanha os ninhos ativos para registrar informações sobre o uso das cavidades e observar os comportamentos dos animais durante e após o período reprodutivo.

Além disso, são coletadas diversas informações ambientais dos locais onde os ninhos estão presentes, como características do solo, da vegetação, presença de cursos d’água e dimensões dos taludes utilizados para a escavação dos ninhos.

Esses dados são fundamentais para compreender quais características tornam um ambiente adequado para a reprodução da espécie.

Por que esse projeto é tão importante?

Embora o cuitelão seja uma espécie exclusiva da Mata Atlântica, ainda existem poucas informações disponíveis sobre seu comportamento em ambiente natural.

Ao compreender como esses animais utilizam o habitat, escolhem seus locais de nidificação e se comportam durante o período reprodutivo, o Projeto Cuitelão gera informações essenciais para subsidiar futuras estratégias de conservação da espécie.

Mais do que proteger uma única ave, o projeto contribui para a conservação dos ambientes onde ela vive e amplia o conhecimento científico sobre a espécie, fortalecendo ações que ajudam a preservar a biodiversidade brasileira para as próximas gerações.

Acompanhe as novidades deste projeto pelas nossas redes sociais e vamos juntos pelo Cuitelão!

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